Violins – A ERA DO VACILO

A ERA DO VACILO - Monstro Discos

Monstro Discos - 10

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De praticamente todos os os álbuns que ouvi até agora, A ERA DO VACILO é um dos melhores exemplos de como se construir letras e transforma-las em canções FODAS!

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Se existe uma banda que dificilmente decepciona na sua estética sonora e letras contundentes, essa banda tem nome, VIOLINS.

Com uma carreira que vem desde 2001 quando ainda se chamava Violins and Old Books, o grupo passou por diversas formações e estava há uns seis anos sem gravar. Em todos os álbuns existem duas certezas, Beto Cupertino nos vocais e as letras mais ácidas e impositivas da história do indie nacional.

Existem letristas e existe Beto Cupertino. Poderia traçar um paralelo entre Beto e outros letristas, mas poucas vezes consegui encontrar outro compositor com letras tão corrosivas e diretas dentro da música brasileira.

O outro achado é conseguir contar com músicos que, mesmo com inúmeras mudanças, soam como peças de quebra cabeças que completam a obra. Em sua atual formação, o Violins conta com: Beto Cupertino (vocal e guitarra), Fred Valle (bateria), Gutavo Vazquez (baixo) e Pedro Saddi (teclados).

“A ERA DO VACILO” consegue soar tão visceral como outras obras da banda. “Um homem ou um Amém” é tudo aquilo que se espera em termos de composição e clichês do nosso atual cotidiano. Violência, lamento e ausência total de esperança. “Descem cinco aqui/Outros Cinco ali/Foi juntando um monte de gente/Com arma na mão/Perseguindo alguém/Ninguém sabe quem/Um negão!

Notamos que essa primeira estrofe se encaixaria em qualquer tipo de música. Um rap, um samba em tom de sarcasmo ou irônico ou em uma canção de rock.

Mas a levada indie e o tom desesperador da guitarra casado com os teclados, nos leva a um pensamento mais urgente. Que o cotidiano soa anda mais assustador que a arte. Que toda sorte de incongruências e digressões da vida são alimento para canções desse porte.

O mundo do Violins é a realidade, sem pinceladas para deixar a vida mais bonita. Talvez as pinceladas sejam a trilha sonora que envolvem as letras mais cruas e cruéis que uma banda poderia criar.

Se o seu negócio é baladinhas indies com letras apaixonadas, passe longe desse quarteto e deixem os adultos escutarem música de verdade.

Em meio a tantos artistas e bandas levantando bandeiras das mais variadas possíveis e dando nome aos inocentes tombados na violência brasileira, eu sinto muito em escrever para todos, o Violins já faz isso há mais de dez anos em letras que deixariam bandas inconformadas com o sistema, envergonhadas com suas letras pueris e rasas.

Existem exceções em meio a massa, mas são bem poucas.

 



Passou dos 30 e poucos anos faz tempo, resenhista (aka crítico musical), editor e amante das boas coisas da vida: música, cinema, literatura, teatro e o que mais envolver artes! Já escreveu para jornais, revista, sites e hoje batalha nesse humilde espaço. Poeta nas horas vagas, já percorreu o Brasil, mas hoje vive em São José, bem ao lado de Florianópolis.


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