Trem Fantasma – Lapso

Lapso - 180 Selo Fonográfico

180 Selo Fonográfico - 9.4

9.4

Quando o Black Sabath encontrou o Pink Floyd e juntos geraram a Trem Fantasma.

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O melhor de ouvir uma banda quando não se conhece o trabalho da mesma, é deixar-se levar pelos ouvidos e esperar terminar a viagem.

No caso do Trem Fantasma, alguns amigos já tinham comentado em redes sociais a respeito da mesma. Todos os elogios eram unânimes: _ Baita banda!

Desconfio de elogios em demasia, pois como diria Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra!

Passou um tempo e o CD chegou as minhas mãos. Não tinha para onde correr, eu tinha que ouvi-lo e tirar minhas próprias conclusões.

Um início instrumental que me deixou confuso, o que era aquilo? Um misto de psicodelia com uma possível introdução de alguma canção de Antonio Marcos. Me senti confuso, não consegui identificar e a confusão passou ao nervosismo e a lamentação, como eu não tinha ouvido Trem Fantasma antes?

Da arte espetacular da capa, um minimalismo absurdo e inexplicável, ao encarte cuidadoso com letras e informações precisas (bandas por favor, parem de inventar na hora de fazer um encarte, façam do jeito que vocês quiserem, mas deixem as informações legíveis para nós criticos) dos colaboradores e autores das letras.

Retornando as músicas, um rock soturno envolvido com psicodelia e andamentos que vão e vem num pesadelo sonoro. A primeira “imagem” que me veio a mente foi: _O Pink Floyd teve um filho com o Black Sabath!

A faixa em questão é a segunda canção do CD, “O Silêncio e o Estrondo”, letra de Rayman Juk e Paulo Leminski.

A pergunta que eu quero fazer é apenas uma: _ Tinha como dar errado?

Antes que alguém avise que um dos maiores escritores e poeta da sua geração já tinha nos deixado para poder escrever ao lado de Rayman Juk, baixista, pianista e um dos vocais da banda, cabe aqui uma explicação.

A banda conseguiu autorização da família de Leminski para utilizar em algumas canções versos do saudoso poeta e escritor. A junção não poderia ser mais feliz.

O olhar sagaz e a verve de um dos maiores autores brasileiros com a coragem de um músico que se revela também um baita letrista!

O álbum com nove canções é de uma produção que beira a perfeição. Não acreditei mesmo que os produtores pudessem ter uma sintonia tão bacana com a banda. A surpresa mesma veio quando li quem era um dos produtores, Beto Bruno vocalista da Cachorro Grande, junto com Sanjai Cardoso captaram a atmosfera que transita entre o lúgrube e a psicodelia.

Novamente a imagem de uma banda que incorpora Pink Floyd e Black Sabath vem a tona, se torna indissociável.

E mais surpresas vêm pelo caminho. Descubro que a banda tem outros letristas de mão cheia. Marcos Dank (guitarrista da banda e também vocal) e Yuri Vasselai (baterista, vocalista e percussionista), escreveram outras letras do trabalho dos curitibanos, o que deixa claro que acima do talento individual de cada integrante a banda ganha com a colaboração de cada músico que participou na elaboração do disco.

Não podemos esquecer de Leonardo Montenegro, guitarrista, vocalista e violonista do grupo, que também contribuiu com a melodia de duas canções.

Nesse coletivo criativo, quem mais ganhou foi o ouvinte da boa música.

Um trabalho que começa intrigante e termina com a vontade de deixar o CD no repeat inúmeras vezes.

Trem Fantasma, eu deveria ter ouvido isso antes!



Passou dos 30 e poucos anos faz tempo, resenhista (aka crítico musical), editor e amante das boas coisas da vida: música, cinema, literatura, teatro e o que mais envolver artes! Já escreveu para jornais, revista, sites e hoje batalha nesse humilde espaço. Poeta nas horas vagas, já percorreu o Brasil, mas hoje vive em São José, bem ao lado de Florianópolis.


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