“Todo Tempo Que Eu Viver” – Cartola

Todo Tempo Que Eu Viver (Universal Music)

Universal Music - 10

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Certo dia alguém fez uma comparação. Que o samba seria o nosso legítimo blues. Um ritmo que traduz toda a essência da alma brasileira e nos mostra o quão brasileiro é o nosso ritmo. Assim como o blues traduz o lamento dos norte americanos, o samba traduziria não apenas nossos lamentos, mas também nossas alegrias.

Tal qual irmãos separados por uma dimensão alternativa, seria plausível, bastante até, escrever que nosso Johh Lee Hooker ou nosso Robert Johnson não poderia ser outra persona que o grande e único Cartola.

Quarenta anos depois do lançamento do segundo trabalho do gênio da música, a gravadora Universal Music lança um box com 3 CDs de Cartola.

Os dois primeiros discos e uma compilação inédita com canções ao vivo e obras avulsas que haviam saído por diversas gravadoras e a participação de jóias do quilate de Clementina de Jesus e Elizeth Cardoso em algumas faixas.

Mas voltando ao nosso poeta…

Nascido em 1908 no bairro do Catete, Rio de Janeiro, o músico teve diversas ocupações para se manter, a música, paixão de Angenor de Oliveira (nome verdadeiro de Cartola) era traduzida na forma de dezenas de composições.

Seu primeiro álbum, homônimo de sua alcunha, só foi lançado em 1974, já sexagenário, Cartola deve à um pequeno selo que levava o nome do proprietário “Discos Marcos Pereira” a alegria de ver finalmente seu trabalho registrado.

Com a insistência de João Carlos Botezelli, produtor que teve a honra de insistir e conseguir que a gravadora apostasse no talento de Cartola, o músico juntamente com alguns dos pilares da música brasileira (Dino 7 Cordas e Mestre Marçal) gravou as 12 faixas em apenas 3 dias em um estúdio no Rio de Janeiro.

Quatro meses depois chegava as lojas uma jóia rara. Criticas elogiosas, alçado a condição de disco do ano e 20 mi cópias vendidas. Cartola ganhava finalmente o respeito da critica e se um público reduzido ainda não o conhecia, em um futuro não muito distante se tornaria um dos principais expoentes não só do samba, mas da música brasileira.

Em seu segundo e trabalho (talvez esse mais conhecido do grande público) uma capa igualmente icônica (Cartola ao lado de Dona Zica, sua esposa), uma verdadeira aula de composição: “O mundo é um moinho”, “Peito Vazio”, “As Rosas não falam”, “Ensaboa” e “Preciso me Encontrar”. Se o segundo trabalho de Cartola tivessem apenas essas faixas, seria uma obra prima, mas ainda tinham 7 faixas com o melhor do mestre.

O último CD, “Tempos Idos” traz uma seleção de faixas lançadas de maneira avulsa do mestre da música por outras gravadoras.

Com dez faixas, o disco é uma espécie de lado B de sambas de Cartola, que ainda conta com a participação de Elizeth Cardoso, Clementina de Jesus, Conjunto de José Menezes e Canhoto.

O box é lançado como uma daquelas obras primas que todo amante da música deveria ter em sua casa!


Passou dos 30 e poucos anos faz tempo, resenhista (aka crítico musical), editor e amante das boas coisas da vida: música, cinema, literatura, teatro e o que mais envolver artes! Já escreveu para jornais, revista, sites e hoje batalha nesse humilde espaço. Poeta nas horas vagas, já percorreu o Brasil, mas hoje vive em São José, bem ao lado de Florianópolis.


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