Thiago Pethit – Mal dos Trópicos (Queda e Ascensão de Orfeu da Consolação)

É sempre bom ouvir discos de um mesmo artista/banda um após o outro e perceber que ouve sim, uma evolução no trabalho proposto por ele(s). Nem sempre é possível notar que cada trabalho funciona como um confessionário ou capítulo da vida de cada um. Se em “Rock n Roll Sugar…

Mal dos Trópicos (Queda e Ascensão de Orfeu da Consolação) - Independente

Mal dos Trópicos (Queda e Ascensão de Orfeu da Consolação) - Independente - 8.7

8.7

Sutileza, classe, elegância e Orfeu da Conceição, transmutado em um ser errante pela noite paulistana.Tinha como dar errado?

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9

É sempre bom ouvir discos de um mesmo artista/banda um após o outro e perceber que ouve sim, uma evolução no trabalho proposto por ele(s).

Nem sempre é possível notar que cada trabalho funciona como um confessionário ou capítulo da vida de cada um. Se em “Rock n Roll Sugar Darling” de 2014 o hedonismo se encontrava com a sujeira do rock e punk, “Mal dos Trópicos” é uma obra mais contida e por mais que possa parecer controverso, mais ampla.

A contradição se explica pela escolha de um mito grego (Orfeu) transmutado no século passado em personagem de morro carioca (Orfeu da Conceição) e agora em um personagem que perambula pela noite paulistana em busca de prazer e satisfação.

A amplitude mencionada anteriormente, se posiciona na elaboração do trabalho. Ao lado do produtor Diogo Strausz, Pethit se posiciona como um crooner embalado em batidas de trip hop, jazz e composições quase orquestradas.

A empreitada não é para iniciantes. Strausz consegue criar atmosferas sonoras lindíssimas como no caso da bossa-nova “Rio”. Harmonia contida, e vocais ocasionais quase sobrenaturais.

Com inspiração que soa como um disco saído da década de 50, 60 diretamente do século XX, “Mal dos Trópicos” é um libelo gay, com retoques sofisticados e tão delicado quanto foi criado para ser.

Se por um lado as letras não soam como o primor estético de sua obra anterior, “Mal dos Trópicos” é um disco elegante e único, onde talvez domado pela sonoridade que beira grandiosa, Pethit se mostra um cantor que doma sua vontade de gritar a plenos pulmões e se transmuta em cantor de cabaret. Como uma versão contida de um ex rock star que está envelhecendo, o paulistano demonstra fluidez e sintonia com nem tão novos sons assim.

Mal dos Trópicos” é um disco que ao mesmo tempo que abrange o universo onírico e cheio de prazeres escondidos, parece mirar a contemplação e calmaria de uma alma cansada.

 



Passou dos 30 e poucos anos faz tempo, resenhista (aka crítico musical), editor e amante das boas coisas da vida: música, cinema, literatura, teatro e o que mais envolver artes! Já escreveu para jornais, revista, sites e hoje batalha nesse humilde espaço. Poeta nas horas vagas, já percorreu o Brasil, mas hoje vive em São José, bem ao lado de Florianópolis.


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