The Killers no Lollapalooza Brasil 2018

Se eu fosse um desses jornalistas que escrevem para grandes noticiosos sobre música, o título deste post sobre o show do The Killers, que encerrou a última noite do Lollapalooza Brasil 2018, seria algo cafona como:

“The Killers traz a strip de Las Vegas para São Paulo em show apoteótico”.

Porém, como eu não sou jornalista e nem escrevo para um veículo grande de comunicação, eu posso escrever o que eu bem entender aqui. O show do The Killers foi incrível, o final apropriado para três dias intensos de música e, com perdão do imenso clichê jornalístico, uma verdadeira apoteose de luz e cor e música e mais hits que eu conseguiria listar aqui.

A banda começou com “The Man”, primeiro single do último trabalho da banda, “Wonderful Wonderful”. Enquanto a banda tocava a música, uma tirada sobre masculinidade tóxica, um grupo de homens do tipo “hétero top” dançava logo atrás de mim gritando “CARALHO MANO QUE FODA” e eu não consegui deixar de pensar no quão irônico era aquilo. “The Man”, porém, não é tão pungente quanto “Somebody Told Me”, que veio logo na sequência e levo o público ao êxtase. Um feito incrível, considerando que a banda não estava nem a dez minutos no palco.

O setlist foi praticamente idêntico ao dos shows no Lollapalooza em Santiago e Buenos Aires, sem grandes supresas. Eu poderia listar aqui cada uma das músicas que veio depois, mas não importa. Cada uma das músicas parecia conversar individualmente com cada pessoa no público, trazendo memórias de quando esta era uma das bandas que capitaneavam o indie, desde o momento em que eles apareceram tocando “Smile Like You Mean It” em uma participação especial na segunda temporada da série “The O.C.”. Eles tocaram esta música, inclusive, e confesso que rolou uma lágrima nostálgica da minha parte.

Um prazer enorme foi ver o vocalista Brandon Flowers no palco. Sem tirar por um instante um enorme sorriso do rosto, ele parecia estar se divertindo como ninguém, apesar de ter interagido pouco com o público, prometeu não demorar outros cinco anos para voltar ao Brasil.

Um momento curioso, surpresa para alguns e para outros nem tanto, foi a participação da apresentadora Dedé Teicher em “For Reasons Unknown”. Agora, ninguém podia esperar que Liam Gallagher, o ex-vocalista do Oasis que havia se apresentado um pouco antes no mesmo palco, invadisse o palco.

Este momento foi todo incrível, na verdade.

Uma grade massa de pessoas cantava os versos “I’ve got soul but I’m not a soldier” de “All These Things That I Have Done”, celulares com lanternas ligadas em punho, repetíamos os versos como um mantra. Eis que, neste momento, Liam entra no palco, surpreendendo a todos, especialmente a banda. Faz uma reverência, como se estivesse confessando sua admiração pela banda e pelo momento que estavam proporcionando, deu um abraço em Brandon Flowers e saiu do palco, batendo palmas. O vocalista, por sua vez, terminou a última música antes do bis como se nada tivesse acontecido.

Sobre o bis, só tenho uma coisa a falar. Talvez vocês tenham visto este meme por aí:

Ele é a mais pura verdade. A última música do show foi, justamente, “Mr. Brightside” e com ela veio uma catarse indie inexplicável.

A banda se despediu enquanto caminhávamos em direção às saídas e o baterista Ronnie Vannucci Jr. veio à frente e pediu para que não falássemos à ninguém se não tivéssemos gostado do show, mas que caso tenhamos gostado do show, pediu para que contássemos a todos os nossos amigos. Não tenho dúvida alguma que todas as pessoas presentes naquele momento contaram para os seus amigos sobre o show.



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


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