The John Candy abre seu coração!

Uma das bandas mais legais do Rio de Janeiro, através de um de seus fundadores abre seu coração para o Underfloripa e revela seu novo disco, “Dreamscape”.

Underfloripa – Vocês vão para o terceiro cd qual a diferença dos dois primeiros para esse?

The John Candy – Difícil…

Underfloripa – Esse tipo de resposta não vale…

The John Candy – Acho que do segundo pra esse não tem tanta, acho que esse está um pouco mais melódico, um pouco mais “fácil”…

Do primeiro pro segundo disco a diferença era bem maior, principalmente pela maneira como foram compostas e gravadas as músicas. Uma vez que o primeiro só eu e Guilherme fizemos, gravamos tudo e nesse primeiro álbum, não havia a intenção de fazer shows, só ter o registro de nossas musicas, isso fez com que o disco fosse um pouco mais “livre”… no sentido de não precisar levar para o palco aquelas musicas…esse novo álbum fizemos como o segundo, com todos tocando, criando juntos… e a sonoridade dele ta mais “fácil” eu acho… mais “reto”.

É por ai. Ele foi produzido de uma maneira muito parecida com o segundo.

Underfloripa – Agora que a poeira baixou, explica para gente como foi a saída do antigo baterista e como está sendo tocar com alguém famoso como Jobson. Digo Joab, o Jobson cover?

The John Candy– Não foi nada pessoal, muito pelo contrario… nós somos todos muito amigos, de verdade. Recentemente compramos a bateria dele pra ficar com a banda, isso foi bem legal, ficar com um “pedaço do Marlon” sempre com a gente.

Ele saiu por questões profissionais, não estava conseguindo tempo pra se dedicar na banda, mesmo o John Candy sendo tão pouco ativo pra uma banda que esta para lançar seu terceiro álbum…dai veio o Joab (son) que é perfeito pra gente! Ele já toca também com o nosso irmão Lê Almeida, então ta tudo em família. Joab tem o talento, ginga e simpatia que a gente precisa… além de ser vascaino!

Uma vez ou outra que a gente tem algum problema de agenda uma vez que ele toca com o Lê, mas isso a gente resolve sempre muito fácil.

Underfloripa – Há alguns anos atrás você tinha me dito que o Rio de Janeiro estava muito ruim para bandas independentes, poucos lugares para tocar, falta de estrutura, falta de cachê, mudou alguma coisa de lá para cá?

The John Candy– Não. Acho que nossa cidade não é para uma cena independente. É isso! O fator principal na minha opinião é o interesse do publico que é realmente muito pequeno. Os lugares abrem e fecham. As festas começam, fazem shows, depois elas param de fazer shows. É isso. Hoje a gente têm alguns lugares, mas não sinto uma melhoria. Nós temos uma festa aqui, a Juvenilia, que fazemos mensalmente no Saloon no bairro de Botafogo. Fazemos questão de fazer um show a cada edição e é bem legal.

Underfloripa– Você citou o Lê almeida como parceiro de vocês. Existe mais alguma banda ou artista do Rio de Janeiro que vocês costumam tocar ou que exista uma afinidade?

The John Candy – Hhmmmm (pensativo). Se eu esquecer vai ser foda! (risos). Existe, tem “A Cidade de Duque de Caxias” que fizemos um show tem umas duas semanas, foi o segundo show que fizemos juntos. Foi bem legal.

Bandas indies no Rio de Janeiro não tem muitas não é?? No Brasil também não.

Mas não ter bandas com “afinidade” com a gente é muitas vezes legal, acho que a maioria mesmo ruim…. (risos).Mas a gente está bem acostumado

Underfloripa– Os 2 primeiros cds vocês lançaram por selos independentes, pretendem fazer o mesmo com o próximo trabalho, ou prensagem própria?

The John Candy – Na verdade acho que vamos prensar muito pouco. Vamos fazer muita coisa digital. Venda pelo itunes, downloads pra tudo que é lado. Já estamos lançando um EP virtual por um selo argentino, “fuego amigo discos”. E assim vai. O disco “físico” vai existir só por conta de alguma venda em show. Para distribuir
vai sair pelo “Transfusão Noise Records”.

Underfloripa-Vocês já tocaram em São Paulo, Minas Gerais, Florianópolis e obviamente no Rio de Janeiro e arredores, existem planos para tocarem em algum outro lugar?

The John Candy– Estamos articulando a volta para essas cidades. É complicado pra gente por conta de nossas vidas pessoais e profissionais. Mas estamos planejando fazer um lançamento nacional bacana.. até internacional!

Underfloripa– Vocês têm bastante tempo de estrada, imaginou que um dia chegaria em 2012 e tocando, se divertindo e com relevância dentro do cenário indie?

The John Candy– É engraçado, porque ter uma banda independente é complicado, ainda mais hoje que tenho 35 anos. Trabalho pra caramba, eu tenho meu próprio negocio e tal.

Quando começamos a gravar o primeiro álbum eu e Gui (Guilherme Almeida, guitarrista e vocalista), era justamente isso; não queríamos fazer shows porque já tivemos bandas no passado e sabíamos tudo o que é… muito estresse, muito perrengue e se ganha muito pouco em troca, por isso a opção de fazer só discos e não show etc..

Mas o “pouco” que se ganha muitas vezes é bem compensador… muito!! Isso que alimenta ainda acho que nesses anos, ganhamos muito pouco dinheiro mesmo, de lucro? Acho que nem mil reais… Mas ganhamos reconhecimento e aplausos incríveis.

Underfloripa– Recentemente você se separou depois de um longo relacionamento. É fato que todo relacionamento quando chega ao fim, rende boas músicas ou até mesmo, um ótimo disco inteiro. Você expurgou algum demônio do fim do relacionamento em alguma faixa do novo cd?

The John Candy– Cara, o lance é que quando me separei o disco já estava sendo gravado… e tem o lance de eu não fazer letras, no máximo as vezes passo pro Gui o “argumento” (risos).

Mas é isso, começamos a gravar o disco em outubro, me separei em janeiro, lógico que tem alguma coisa ali no meio porque foi todo um processo. Mas só fiz duas musicas pra esse álbum depois que me separei… lógico que têm algum sentimento disso sim ali dentro. Ela inspirou muitos anos da minha vida, num disco meu não seria diferente

Underfloripa – E qual vai ser o nome do disco?

The John Candy – O nome do disco será “Dreamscape”.


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Passou dos 30 e poucos anos faz tempo, resenhista (aka crítico musical), editor e amante das boas coisas da vida: música, cinema, literatura, teatro e o que mais envolver artes! Já escreveu para jornais, revista, sites e hoje batalha nesse humilde espaço. Poeta nas horas vagas, já percorreu o Brasil, mas hoje vive em São José, bem ao lado de Florianópolis.


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