“Surf Explosão” – The Dead Rocks

A primeira impressão ao ouvir "Johnny Crack Corn", a faixa que abre o terceiro álbum do trio The Dead Rocks, é que este será um disco divertido. E ele é, de fato, divertido. É como uma janela pra onde você pode olhar direto para toda a nostalgia de um mundo…

Surf Explosão (Groovie Records)

Groovie Records - 6.5

6.5

Vibe sessentista, riffs acelerados formando um álbum nostálgico e divertido.

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7

A primeira impressão ao ouvir “Johnny Crack Corn”, a faixa que abre o terceiro álbum do trio The Dead Rocks, é que este será um disco divertido. E ele é, de fato, divertido. É como uma janela pra onde você pode olhar direto para toda a nostalgia de um mundo mais simples, com tons pastéis e guitarras limpas, sem distorção e com um montão de reverb.

“Johnny Crack Corn” é uma versão de “Jimmy Crack Corn”, uma cantiga tradicional americana sobre um escravo lamentando (sarcasticamente) a morte de seu senhor. A versão ficou excelente e talvez seja a melhor música do disco e é uma boa amostra do que vem pela frente: Um montão de teclados, licks ágeis de guitarra e todos os elementos de surf music à Dick Dale. O problema é que uma hora, você tem que voltar à realidade e a nostalgia não segura o disco.

Da segunda faixa em diante, alterna-se entre faixas mais lentas e mais rápidas, com resultados variantes. Há a excelente “La Venganza del Chico Salvaje” e a curta “Fingerboard” que fariam qualquer um dançar como John Travolta em “Pulp Fiction” e faixas mais lentas como “Nas Ondas da Emoção” fazem um balanço com, não deixando o disco fritar demais.

O único ponto baixo do disco está na última faixa, “Surf Man”, uma versão de “Sugar Man”, de Sixto Rodriguez, aquele do documentário que ganhou o Oscar de 2012. Com mais de nove minutos de duração, ela destoa do resto do álbum primeiramente por sua duração longa. Todas as outras faixas são curtas, com poucas passando da marca de três minutos. Mas, pior ainda, ela é esquisita. Parece que não cabe ali. Embora a música esteja em par ao resto da produção, com timbres similares e masterizada da mesma maneira, ela soa vanguardista, quase progressiva, como se não fizesse parte daquele material. Até este momento, o “Surf Explosão” é um álbum bem direto, com músicas bacanas e dentro de um estilo fechado. Aí vem a viajona última faixa deixando tudo com o um gosto meio esquisito.

O mundo de The Dead Rocks é aquele em que você bebe um milkshake de chocolate num diner à beira de uma praia na California, enquanto penteia seu topete mantido impossivelmente na posição vertical por um montão de brilhantina. É um mundo nostálgico, encerado, que tem o seu valor pra visitar às vezes. Só não dá pra morar lá.

 



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


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