Slavior – Slavior

Eu juro que quando peguei este disco pra resenhar, eu estava pronto pra descer a lenha nele, sem ouvir um segundo de música sequer. Entre o nome em inglês com direito a um trocadilho, músicas em inglês, tipografia e capa esquisita, eu achava que este auto-intitulado álbum da Slavior seria…

Slavior (Inside Out/Sony Music)

Sony - 8.3

8.3

Hoje nós aprendemos que (às vezes) não devemos julgar um disco pela capa.

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8

Eu juro que quando peguei este disco pra resenhar, eu estava pronto pra descer a lenha nele, sem ouvir um segundo de música sequer. Entre o nome em inglês com direito a um trocadilho, músicas em inglês, tipografia e capa esquisita, eu achava que este auto-intitulado álbum da Slavior seria apenas mais um desses discos de metal genéricos, mal gravados e cheios de chavões. Apesar de ser uma banda americana e com o disco publicado por um selo grande, a Sony Music, o cuidado gráfico com a capa é digno daquela banda de metal do seu amigo esquisito e cabeludo do ensino médio.

Para a minha alegria, logo na primeira faixa, “Origin”, eu percebi que estava redondamente enganado.

A banda é um projeto do baterista Mark Zonder, mais famoso por seu trabalho na banda Fates Warning, com participação de vários outros nomes de destaque, o ex-Michael Schenker e ex-Vinnie Moore, Wayne Findley, e vocalista o Gregg Analla. Porém, apesar de todos serem nomes de respeito no dito metal progressivo, o trio buscou influências em outras fontes, desde o rock e o jazz até o reggae e o funk. Há uma notória influência do Faith No More ao longo do disco, especialmente em “Slavior” e “Give It Up”, e do Dream Theater ao longo de todo o disco.

O resultado é um discaço de uma ponta a outra. Mesmo “Dove”, que começa com uma batida tradicional de reggae, soa estranha no início, mas logo os ouvidos se acostumam e, considerando que o álbum é do longínquo ano de 2007, ela e seu refrão grudento bem que poderiam estar em na MTV da época. O mesmo ocorre com “Altar”, que tem uma pegada quase que de pop rock e guitarras limpas com chorus, e na já mencionada “Give It Up”, com seu pré-refrão marrento e cheio de funk.

Sobra peso, sobra criatividade, apesar da capa chavão. “Slavior” é uma aula de como misturar gêneros sem perder a essência, como ter groove sem perder o peso. Um excelente disco de metal para os que estão cansados de ouvir as mesmas coisas no gênero e destravar o palato auditivo. E, para mim, mais uma lição de que não devo julgar um livro, ou um disco, pela capa.



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


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