Silver Mammoth – Pride Price

A primeira coisa que eu reparei neste álbum da banda paulistana Silver Mammoth é uso exagerado de Autotune na voz. Desde a primeira faixa até a última é impossível não notar as modulações na voz do vocalista e fundador da banda Marcelo Izzo em cada uma das inflexões e no…

Pride Price (Independente)

Independente - 4.8

4.8

A última vez que eu ouvi tanto Autotune foi com o T-Pain,

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A primeira coisa que eu reparei neste álbum da banda paulistana Silver Mammoth é uso exagerado de Autotune na voz. Desde a primeira faixa até a última é impossível não notar as modulações na voz do vocalista e fundador da banda Marcelo Izzo em cada uma das inflexões e no fim de praticamente todas as estrofes.

Depois de reparar nisso, eu não consegui prestar atenção em mais nada.

O álbum varia entre o medíocre e razoável. Os timbres são frios e a bateria opaca. No geral, todas as músicas tem elementos bacanas, mas no conjunto, não são nada de espetacular. “Robert and I Face to Face Thirty Years Later” tem um riff excelente, digno de um Led Zeppelin em final de carreira e teclados à Deep Purple no fundo, mas esses elementos parecem fazer parte de uma canção em construção. A voz parece perdida, não casa com a música. A bateria é reta e sem charme, eu nem consigo ouvir o contrabaixo e o solo tem um timbre tão frio que parece que foi gravado usando uma pedaleira Zoom 505.

E tem o Autotune de novo.

Os chavões do rock se fazem presentes em vários elementos, inclusive nos títulos de músicas como a faixa de abertura, “Sinning in Mass”, um outro exemplo de construção mal planejada. Desde o primeiro segundo ela parece que poderia ser uma música de metal melódico à Angra, com pedal duplo bem marcado e aquela levada de baixo à Steve Harris, mas ela tem um pré-refrão medíocre e termina com uma inflexão para baixo, à The Strokes, o que causa uma sensação péssima, como um coito interrompido. Falta aquele agudão, aquele drive, um grito, uma explosão. Terminamos com algo muito chocho.

“Break It Up, Bring ‘Em Down”, por sua vez, é um rockão de primeira, cheia de pegada, mas falta um coro decente e a voz, novamente, parece não ter corpo. Temos baladonas como “Soldier of Prey” e “Sweet Little Sister”, que podia bem ser um cover de Guns n’ Roses. E nunca ninguém vai me explicar qual é o sentido de pôr uma faixa desconfortável como “When Walls Get Cracked” no meio do álbum dessa maneira.

“Pride Price” é mais um em uma longa linha de exemplos de porque o Rock está morrendo. O excesso de produção joga na nossa cara a massa de ideias recicladas de artistas consolidados executados por músicos que parecem ter medo de ouvir qualquer coisa fora do cânone dos dinossauros do Rock. Parece que a banda mais recente ouvida pelos integrantes da Silver Mammoth foi o Uriah Heep. A Silver Mammoth parece estar perdida no passado, em meio a influências antigas, sem olhar para o futuro.

 



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


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