Royal Blood no Lollapalooza Brasil 2018

Uma das melhores coisas do Lollapalooza Brasil é o Palco Ônix. Localizado na base do Mergulho, ele tem toda a Subida dos Boxes do circuito formando um anfiteatro onde é possível assistir aos shows sentado, curtindo o sol e a música. Ou se você quiser, também pode fritar na beira do palco, agarrado na grade, batendo a cabeça como se não houvesse amanhã. Eu assisti ao show do Royal Blood na sexta dia 23 de março, no primeiro dia do Lollapalooza, sentado, no meio da encosta. Afinal, estou chegando aos 35, tenho joelhos ruins e uma hérnia de disco, além de ser o primeiro dia de três. Era necessário poupar as minhas forças.

Ao final da primeira música eu percebi que havia cometido um grave erro. Eu deveria ter ido para a beira do palco bater cabeça. O show do Royal Blood foi absolutamente descaralhante.

O mais chocante era a falta de cor. Enquanto praticamente todos os outros artistas do festival usavam o fundo do palco com projeções, mesmo que com o nome da banda, o Royal Blood não usou desse artifício. Tanto o baixista Mike Kerr quanto o baterista Ben Thatcher usavam apenas roupas pretas e instrumentos majoritariamente pretos, logo havia nenhuma cor no palco além dos telões ao lado mostrando o rosto de Kerr e às vezes de Thatcher. Não havia impacto visual e, talvez por isso, o volume veio mais alto. O impacto sonoro provocado pela dupla britânica fez com quem ninguém conseguisse ficar parado.

Entre as músicas escolhidas dos dois discos da banda, o último “How Did We Get So Dark?” do ano passado, o maior hit “Figure It Out”, ficou para o final, sendo a última música do set. Mas ao contrário de muitos shows, não trouxe nenhuma animação à mais que as outras. Sempre quanto toda um hit, o público vibra mais, grita mais. Não com o Royal Blood. A sequência quase interminável de riffs fantásticos disparados um atrás do outro fez com que esta música em particular, talvez a mais aguardada do show, saísse como apenas mais uma num rol genial de músicas para agradar roqueiros de todas as idades.

Ao final do show, Kerr repetiu o que tinha dito no show na noite anterior no Cine Jóia: São Paulo “é o melhor lugar para se fazer shows”. Talvez ele não estivesse preparado para a recepção do público, que adorou, dançou, cantou e pulou a cada música. Mesmo eu e minha hérnia de disco, sentados no meio do morro, dançamos.



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


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