Queens of the Stone Age no Allianz Parque

Há poucas coisas mais legais neste mundo que ouvir uma de suas bandas favoritas tocar uma de suas músicas favoritas. Na terça-feira, dia 27 de fevereiro de 2018, eu tive este prazer quando o Queens of the Stone Age tocou “I Sat By The Ocean”.

Mas eu estou me adiantando, vamos ao início.

O show começou devagar com “If I Had a Tail” e foi acelerando aos poucos. Quando chegamos em “The Way That You Used to Do”, o vocalista Josh Homme anuncia que esta era para dançar, mas poucos dançaram, embora nenhum de nós estivesse parado. Entre os poucos hits da noite, “No One Knows” logo veio e ele tirou a reação mais forte da plateia.

E logo veio “I Sat By The Ocean”. Nos primeiros acordes, que eu sei de cor e amo desde a primeira vez que ouvi a música em 2013, eu já estava em êxtase. Os pelos da minha nuca estavam arrepiados e me perdi numa experiência quase religiosa. Quando a banda terminou de tocá-la, olhei para minha esposa e disse que podíamos ir embora. Engano meu. O show ainda estava na metade e a banda já estava devidamente aquecida. Uma leve trégua foi dada com “Make It Wit Chu”, que muitos conheciam e cantaram junto o refrão, e logo voltaram à programação habitual com “Smooth Sailing”, “Little Sister” e, a última pedrada da noite, “Go With the Flow”.

“Go With the Flow” é uma música que irá completar 15 anos de lançamento em abril deste ano e é um testamento de o quão boa esta banda é. Uma música de quinze anos que ainda parece atual e a banda tocou como se fosse o hit do seu último disco.

A experiência deste show foi uma de sinestesia, de luz, cor e som. Estava anoitecendo quando a banda começou e a noite foi tomando conta sem que percebêssemos. Logo, só havia escuridão e luzes neon no palco. Não havia projeção no telão ao fundo da banda, apenas nos laterais, aumentando ainda mais a escuridão. As luzes frenéticas aumentavam a confusão e elas dançavam loucamente pelo ar, especialmente em músicas mais tensas, como em “My God is The Sun” e “A Song for the Dead”, que encerrou o show. Não havia nenhum spot na banda e a música era a protagonista.

Para minha tristeza, não houve bis. Jonathan Correa, vocalista da Ego Kill Talent, banda que abriu os trabalhos da noite, agradeceu aos presentes por terem chegado cedo e assistido ao show deles. Naquela hora eu pensei comigo mesmo que não era por isso que havíamos chegado cedo, mas ao final da noite percebi que poucos dos presentes naquele fim de tarde no Allianz Parque estavam lá para assistir ao Queens of the Stone Age também.



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


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