“Post Pop Depression” – Iggy Pop

Aos poucos os ídolos do rock vão deixando o mundo e se juntando as lendas de outrora. Em um dia acordamos e não temos mais entre nós um Lemmy Kilmster, no outro é David Bowie que nos deixa. Da mesma geração que os dois nomes mais conhecidos do rock a…

POST POP DEPRESSION (Universal Music)

Universal Music - 8.6

8.6

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9

Aos poucos os ídolos do rock vão deixando o mundo e se juntando as lendas de outrora. Em um dia acordamos e não temos mais entre nós um Lemmy Kilmster, no outro é David Bowie que nos deixa.

Da mesma geração que os dois nomes mais conhecidos do rock a partir nos últimos meses, Iggy Pop, se juntou a um time de músicos com competência mais que comprovada. Matt Helders (Artic Monkeys), Dean Fertita (Queen of The Stones Age e Dead Weather) e Josh Homme (Queen of The Stones Age e Eagles of Death Metal) fazem a cozinha sonora para um dos trabalhos mais instigantes da velha iguana, soturno e as vezes meio triste, como se de alguma maneira Iggy estivesse gravando uma despedida (tal qual seu amigo de longa data David Bowie fez em Black Star).

As nove canções não chegam perto do excelente trabalho que o ex-líder dos Stooges fez na década de 70 ou mesmo em dois de seus memoráveis álbuns, “Lust For A Life” e “The Idiot”, ambos também da década de 70.

Talvez a “despedida” seja mesmo real, não se sabe. Porém, o tom fúnebre ronda a cabeça de Iggy, já que em pelo menos duas das canções do disco, “America Vahalla” e “Paraguay” há algumas pistas sobre despedida ou um descanso da longeva carreira de mais de 50 anos.

Toda a sonoridade do álbum oscila entre canções que flertam com o rock, jazz, e experimentalismo, mais uma vez a bela e boa sombra de David Bowie, encontra eco no andamento de canções como a já mencionada “America Vahalla”, que por sua vez lembra bastante a fase de Berlim de Bowie e a canção”German Days”, parece ressaltar isso.

Aos 68 anos, James Newell Osterberg não precisa mais provar nada à ninguém. Nem ao seu público, nem as gravadoras e nem aos seus pares. Do alto de seu palco, Iggy pode finalmente vislumbrar um merecido descanso com “Post Pop Depression”. Não é uma obra prima como alguns de seus álbuns anteriores, mas se esse for seu último trabalho, daria um belo epitáfio.

Esperamos que seja apenas um breve descanso, e o bom e velho Iggy volte com tudo em um próximo trabalho.



Passou dos 30 e poucos anos faz tempo, resenhista (aka crítico musical), editor e amante das boas coisas da vida: música, cinema, literatura, teatro e o que mais envolver artes! Já escreveu para jornais, revista, sites e hoje batalha nesse humilde espaço. Poeta nas horas vagas, já percorreu o Brasil, mas hoje vive em São José, bem ao lado de Florianópolis.


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