Paul McCartney no Allianz Parque

Em 2012 eu não pude assistir ao ex-Beatle, ex-Wings, lenda viva e vegetariano Paul McCartney na Ressacada. Muitos de meus amigos e até meus pais foram ao show, mas eu não pude ir. Perdi outra oportunidade em 2014. É de fato muito triste para um fã perder um show de um de seus artistas favoritos e os Beatles talvez seja a banda que eu mais ouvi na vida. Porém, desta vez, no último domingo dia 15, eu finalmente pude ver um beatle de perto.

O show foi precedido por pouco mais de uma hora de som mecânico, tocando, em sua maioria, composições dos Beatles. Tocou de tudo, começou com “Mother Nature’s Son” e foi desde lados B como “Rain” até “A Day In The Life”. A platéia, composta por pessoas de todas as idades porém, em sua maioria, adultos de 40, 50 ou 60 anos, aplaudia e gritava a cada hit, e o show nem tinha começado ainda.

Paul McCartney e sua banda entraram no palco britanicamente às 21h e começaram o show. Talvez esta seja a primeira vez que eu vou a um evento que começa no horário previsto. Começou morno, com “Hard Day’s Night”, mas o público vibrava. Eu só fui entrar no clima na quarta música: “Jet”, clássico dos Wings e até “Let Me Roll It” já haviam corrido algumas lágrimas. O repertório é coeso, costurando clássicos e canções novas com uma fluidez incrível. “FourFiveSeconds” é uma sonzeira, mesmo sem Rihana e Kanye West, e não deve nada aos clássicos.

Paul é extremamente simpático e interage com o público ao final de praticamente cada uma das músicas. Ele também demonstra uma absoluta maestria no baixo, guitarra, violão, ukulele e piano. A voz pode não ser mais a mesma, mas os dedos continuam ágeis e a execução de todas as músicas foi absolutamente impecável. Boa parte do crédito a isto é de sua banda. Todos os músicos são incríveis. O baterista Abe Laboriel Jr., filho do lendário baixista Abraham Laboriel, é um espetáculo à parte. Toda vez que ele aparecia no telão parecia que ninguém no mundo estava se divertindo mais que ele naquele momento.

Durante o show fez diversas homenagens a Jimi Hendrix, tocando um trecho de “Foxy Lady”, aos ex-parceiros de banda John Lennon e George Harrison e ao lendário produtor George Martin, cada um dedicando uma música. Confesso que correu uma lágrima durante “Maybe I’m Amazed”, que ele dedicou à Linda McCartney. Porém, eu senti que faltou uma menção a Ringo Starr. Exceto a ocasional aparição em uma foto com os outros membros dos Beatles no telão, o baterista foi completamente ignorado durante o show.

A apresentação foi chegando ao fim de maneira épica com explosões e fogos de artifício em “Live and Let Die” e um coro de 40 mil pessoas cantando “Hey Jude”. Depois de mais de duas horas de show, ele parece que não cansar nunca e leva a plateia junto, que igualmente permanece incansável.  A banda sai do palco e volta para o esperado bis carregando três bandeiras. Uma do Brasil, uma do Reino Unido e uma com as cores do arco-íris, para caso o alinhamento político dele não tenha ficado claro ainda. No bis, só “Birthday” parece ficou deslocada. Mas tudo de acordo com o script, terminando o show com as três derradeiras músicas do medley do lado B de “Abbey Road”: “Golden Slumbers”, “Carry That Weight” e “The End”.

Pode ter sido um show igual a todos os outros, mas eu certamente irei no próximo. Pode ser que todo show tenha a mesma reboladinha em “And I Love Her” e as mesmas piadinhas em português mal acabado, mas não importa.



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


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