Paul McCartney no Allianz Parque

Paul McCartney voltou ao Brasil e eu voltei à Barra Funda para vê-lo pela segunda vez, novamente acompanhado da minha esposa, que foi ver o ex-beatle pela quarta vez. Mais uma vez, entrei no Allianz Parque esperando uma reprise do show de 2017. Ouvi constantemente de muitos amigos e conhecidos que os shows dele são praticamente iguais. Até o título desta matéria é idêntico ao da cobertura que eu escrevi daquela vez. Pode-se concluir por isso que eu não tinha grandes expectativas para o show, mas você estaria enganado. Eu podia até estar “repetindo figurinha”, mas não é todo dia que se sai de casa para ver um beatle.

O show começou exatamente como da última vez, com “A Hard Day’s Night”  e, então, as coisas mudaram um pouco. A primeira vista, as únicas diferenças eram os cabelos visivelmente mais grisalhos e a jaqueta, que desta vez era preta ao invés de azul marinho, mas elas foram muitas. O show foi uma mistura de sensações, entre alternando constantemente entre o familiar e o novo. No lado familiar, um repertório conhecido e músicas mais recentes da carreira do cantor, não tão conhecidas por boa parte de público, composto majoritariamente de pessoas com mais de 40 anos usando camisas com dos Beatles, como “Save Us” de 2013. Entre uma música e outra podia-se ouvir o ocasional coroa frustrado girtando “TOCA BEATLES”.

Boa parte do repertório foi composta de músicas mais recentes do baixista. Claro, essas músicas vieram em muito menor número do que os clássicos, composto em sua maioria por músicas dos Beatles e dos Wings, mas elas tomaram uma boa parte do show, especialmente porque são um pouco mais longas e com maior tempo de instrumental que a maioria dos clássicos do quarteto de Liverpool. Acontece que a voz de Paul definitivamente não é a mesma. A banda e o público ajudam, mas a voz de um senhor de 76 anos não consegue acompanhar os agudos e gritos de quando ele tinha seus vinte e poucos. Isso fica bem evidente em “Got To Get You Into My Life” e “Helter Skelter”.

Isso importa? Nem um pouco, como também não importa que os fogos não dispararam em “Live and Let Die”. Também não importa que ele tocou a meia-boca “Back In Brazil” e não tocou “Jet”.

Abe Laboriel Jr. estava lá.

O baterista e filho do lendário baixista Abraham Laboriel é um show à parte. Toda vez que o telão focava nele ele parecia estar se divertido mais que todo o público. Ele, inclusive, arriscou alguns passos em “Dance Tonight” para o deleite de todo o estádio. Houveram as mesmas homenagens a Jimi Hendrix depois de “Let Me Roll It”, ao seu “irmão”, John Lennon, e a George Harrison numa versão de “Something” iniciada no ukulele, depois seguida pelo resto da banda. “Blackbird” foi anunciada, novamente, como uma música escrita sobre direitos humanos.

O show terminou com o tradicional fim do medley de “Abbey Road”. A rigidez ensaiada do show que é repetida a esmo não tira o brilho da performance ou das músicas. Paul McCartney é um dos poucos artistas que consegue juntar no mesmo espaço tantas pessoas diferentes e de gerações diferentes. Ao meu redor eu via adolescentes ao lado de idosos, dividindo o mesmo espaço e curtindo o mesmo show. Depois de ver o Macca pela segunda vez, me perguntaram se eu viria uma terceira vez. A resposta é: Definitivamente.



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


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