OZU – INNER

INNER – Independente

INNER – Independente - 10

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Em um dia difícil ou agressivamente doce, escutem essa banda.Uma das maiores surpresas de 2018!

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Sabem aqueles dias que nada parecem dar certo? Que no trabalho as coisas não parecem correr do jeito que você imaginou, que o cliente te deu informação errada, ou aquilo que você mais prezava, se esvaiu entre os dedos feito areia?

Daí você precisa de um remédio, de algo que entorpeça sua alma ou te faça esquecer das agruras que estragaram seu dia e talvez deixem alguma marca em seu espírito.

OZU foi justamente isso no momento certo, na hora exata e para minha surpresa descobri mais uma terminologia dentro da música: dowtempo.

A banda faz um som que recebe a alcunha de dowtempo/lo-fi. Fui obviamente perguntar para a assessora de imprensa da banda, o que seria dowtempo. O estilo é um misto de eletrônico caindo para o trip hop, pegadas lo-fi e elementos muito presentes de rap.

Ela não me disse isso tudo, mas fui entendendo enquanto me encantava com o estilo e as músicas da OZU.

Esses sexteto existe desde 2016, soltou 2 EPS e agora chega a sua maturidade musical com um álbum que mostra uma evolução natural de seus trabalhos anteriores.

Se no EP “The DowBeat Sessions Vol. 01” lançado em 2017 o ritmo predominante era o trip hop, o atual álbum recém-lançado consegue sair do universo associado aos britânicos do Massive Attack e nos envolver como se fosse o disco inteiro uma enorme trilha sonora.

Ao ler o release de apresentação da banda, achei um certo exagero citarem o cinema iraniano, japonês e sul coreano como referencias, mas quando se escuta faixas soltas e imaginamos as mesmas como parte de um filme de Kurosawa por exemplo, faz todo sentido.

INNER” já abre com um trip hop nervoso, como se alguma faixa de rap fosse reprocessada e jogada como uma bomba nos anos 90. “Antony Hideaki” é experimental, densa e com elementos orientais. Um casamento entre o ocidente e oriente.

Stain” recoloca aquele clima de trip hop com a voz de Juliana Valle fazendo o que uma verdadeira diva faz ao cantar, causar espanto em quem não conhece o trabalho de uma banda que já na segunda faixa te pega pelo coração.

Gaze” traz o minimalismo oriental. Como gotas caindo no chão, as notas vão se desprendendo uma a uma até a camada sonora estar pronta. O impressionante é poder ver a evolução da canção momento a momento, e imaginar uma viagem de um samurai por uma terra devastada por guerras em mundo perdido. Juro que se a faixa não entrar em algum filme brasileiro nos próximos anos, eu levo o CD e entrego para um bom diretor ou produtor!

As 11 faixas são um verdadeiro desbunde sonoro. Poderia passar a noite escrevendo sobre como o trabalho do grupo me impressionou, mas todas as frases sairiam iguais ou soariam a mesma coisa, OZU é uma banda excelente e sua música é vida!

ESCUTEM OZU!



Passou dos 30 e poucos anos faz tempo, resenhista (aka crítico musical), editor e amante das boas coisas da vida: música, cinema, literatura, teatro e o que mais envolver artes! Já escreveu para jornais, revista, sites e hoje batalha nesse humilde espaço. Poeta nas horas vagas, já percorreu o Brasil, mas hoje vive em São José, bem ao lado de Florianópolis.


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