Os melhores álbuns de 2018 por Leonardo Vinhas

Na real achei um ano bem xarope pra nacional. Muita gente que vinha fazendo coisa boa lançou discos ou singles decepcionantes (The Baggios, Francisco El Hombre), muita gente trocou a harmonia por batidinhas eletrônicas desprovidas de criatividade ou por arranjos “mudernos” que possivelmente terão o mesmo destino histórico daquelas baterias com reverb nos anos 80. E teve muita “lacração” e discurso de “protesto” (porém seguro) para pouca música.

Então fiquei com sete discos, e não 10, dois dos quais (Assopro e ruído/mm) instrumentais. Tenho certeza que houve mais que 10 discos bons no ano, obviamente, mas do que chegou até mim, não consegui listar esse tanto. Assim como na lista internacional, incluo desavergonhadamente um projeto da minha autoria (“Um Grito que se Espalha”, tributo a Walter Franco), mas o destaque para mim está mesmo no disco da Luiza Lian. Ela conseguiu encaixar o samba rock no seu universo de “desconstrução musical” e logrou um álbum esquisito e bonito com, pelo menos, duas canções incríveis (“Azul Moderno” e “larinhas”). Joe Silhueta e André Prando vieram com psicodelia cancioneira e mandaram bons discos também, embora o do Prando perca pro seu antecessor (“Estranho Sutil” de 2015) enquanto a Joe levantou o sarrafo nas próprias composições . Só fiquei sabendo do novo do Violins no fim do ano, mas boto fé que podia sair coisa de boa de lá. Vai ficar para 2019…

Meu olhar para discos estrangeiros fica majoritariamente no cenário latino-americano, foco do meu trabalho e do interesse maior. Mas não fecho os ouvidos para os lançamentos anglo-saxões de alguns dos meus gêneros mais queridos, como rock, blues, ska e folk. Assim, minha lista tenta trazer um pouco disso tudo, sem jamais deixar de ser fiel ao critério que vale para esse tipo de lista: só podiam entrar discos que eu ouvi MESMO, e não discos que são “conceitualmente importantes” ou outras bobagens.

Dito isso, vamos à porção em inglês da listagem, na qual destaco Fantastic Negrito. Nunca tinha ouvido falar desse cidadão, esse disco caiu nos meus ouvidos e de lá não saiu. Em um ano e que os “roqueiros clássicos” ficam celebrando o xerocão Greta Van Fleet, Negrito mostrou que dá para revisitar o passado sem recorrer ao papel-carbono. O mesmo pode ser dito a respeito do rockabilly maroto de JD McPherson e do soul de The Broken Bones (que por muito pouco não entrou nessa lista). Tem também bastante frescor no blues pesado e algo viajante e Cedric Burnside, e Paul Weller continua trabalhando muito – a discografia solo do homem é extensa – e mantendo viva a tradição melódica que sempre foi a melhor coisa do rock inglês.

O Molotov faz uma ponte de entre esses dois mundos, o rock mainstream gringo e o universo musical do seu México. O Unplugged deles é uma revisitada na carreira e mesmo com o caráter oportunista do projeto, fizeram um ótimo disco, que contou com a participação de Money Mark (Beastie Boys) em todas as faixas. Deu para recuperar o repertório com bom gosto e um puta dum gás!

O venezuelano Juan Olmedillo, do Los Mentas e La Pequeña Revancha, fez um disco solo rápido e conciso, com canções que não couberam em suas bandas, e garantiu uma das minhas canções preferidas do ano (“Calle Ciega”). Da Argentina, veio o encontro insuspeito entre o cantor folk Gabo Ferro e o stoner rocker Sergio Ch (Los Natas), resultando num disco acústico pesadão – generalização que cabe também aos colombianos Rolling Ruanas, que melhoram a cada ano. E os Babasonicos recuperaram seu lado provocador e disruptivo, há anos esquecido, e entregaram o econômico e precioso “Discutible”.

Nacionais

Luiza Lian – Azul Moderno (Tratore)
André Prando – Voador (Sony Music)
Assopro – O Dia dos Ventos (Tratore)
Vários Artistas – Um Grito que Se Espalha (Independente)
Joe Silhueta – Trilhas do Sol (Tratore)
ruído/mm – A é Cônvaco, B é Convexo (Tratore)
André Abujamra – Omindá (Tratore)

Internacionais

Fantastic Negrito – Please Don’t Be Dead (Cooking Vinyl)
Gabo Ferro & Sergio Ch – Historias de pescadores y ladrones de la Pampa Argentina
JD McPherson – Socks (New West Records)
Paul Weller – True Meanings (Parlophone Records)
Cedric Burnside – Benton County Relic (Single Lock Records)
Vários Artistas – Conexão Latina (Independente)
Los Rolling Ruanas – Sangre Caliente (Independente)
Juan Olmedillo – Ningún Lugar (Indepdendente)
Babasonicos – Discutible (RCA Records)
Molotov – MTV Unplugged – El Desconect (Universal Music Mexico)




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