Os melhores álbuns de 2018 por Fábio Bianchini

2018. Credo.

Quando fui fazer essa lista, resolvi dar uma olhada nas minhas postagens de 2018 pra ter certeza de que não ia esquecer aquela música que eu tanto amava, tinha falado pra todo mundo ouvir e nem me ligava mais que era desse ano, que pareceu um século, ainda mais com a Copa no meio. Lembra que no início de 2018 a Marielle tava viva e nem o Museu Nacional nem o Wilton Paes de Almeida (aquele no Largo do Paissandu em São Paulo – lembrou?) tinham sido incendiados? Pois é. Não faz nem um ano. E a gente lembrando música.

Mas de novo: eu tava olhando as postagens do ano todo e achei uma da madrugada de 5 de março de 2018 (sério, parece que era outro mundo), quando eu contava, felizaço, que tinha acabado de ver no Taliesyn uma banda de que nunca tinha ouvido falar antes. Era a La Leuca. Faz nove meses e meio isso e de lá pra cá viraram minha banda nova preferida. Quando saiu o EP, fiquei ainda mais feliz: a mágica do show tava lá, mas era outro negócio. Mais aéreo, onírico (NOTA DEZ!), com truques diferentes, sem medo de não repetir o show. Tenho a séria impressão de que elas ainda vão fazer muita coisa foda, mas, de qualquer jeito, com esse disco, pra mim, já abandonaram a fase da promessa. Já tá cumprida. É o único das minhas listas que tô colocando em ordem: primeirão.

É legal reparar também que quase todos eu ligo a uma noite ou hora em que descobri vendo um show lindo ou então a uma pessoa querida que disse “cara, tu tem que ouvir isso”. Ou que tá envolvida ou é a artista do disco.

Então aí vão as listas com as observações.

INTERNACIONAL

Hinds – I Don’t Run (Lucky Number)
Breeders – All Nerve (4AD)
Beach House – 7 (Sub Pop)
Kali Uchis – Isolation (Universal Music)
Janelle Monáe – Dirty Computer (Bad Boy)
Courtney Barnett – Tell Me How You Relly Feel (Marathon Artists)
Boygenius – EP (Matador)
Low – Double Negative (Sub Pop)
Essex Green – Hardly Electronic (Merge Records)
Mitski – Be the Cowboy (Dead Oceans)

E aí vai ser 11 porque What a Time do Be Alive do Superchunk não pode ficar de fora em 2018 e nenhuma dessas outras pode sair. Stephen Malkmus (Sparkle Hard), Kacey Musgraves (Golden Hour), Snail Mail (Lush), Cowboy Junkies (All the Reckoning) e Calvin Johnson (A Wonderful Beast) que me desculpem.

Por outro lado, a música do ano não saiu em álbum nenhum: “This Is America“, do Childish Gambino, com ou sem o clipe. Menção honrosa pro pop gostoso meio Cocteau Twins , um tiquinho de Medicine do Hatchie. Ouçam “Sugar & Spice“, que maravilha.

NACIONAL

1. La Leuca – Dente de Leite (Deckdisc)
Orquestra Manancial da Alvorada – Via Várzea (Independente)
Luiza Lian – Azul Moderno (Risco)
Maria Beraldo – Cavala (Risco)
Teto Preto – Pedra Preta (Mamba Rec)
Frabin – Tropical Blasé (Independente)
Pablo Prudêncio – Desterro a Sto. Antônio (Independente)
Ava Rocha – Trança (Circus Produções Culturais e Fonográficas)
Monte Resina – Aluado Bulimor (Sinewave)
ruído/mm – A é Concavo, B é Convexo (Tratore)

Rola a mesma coisa aqui: “Marielle Franco“, de MC Carol com Heavy Baile, não saiu em nenhum álbum. Mas como falar em 2018 sem citar esse colosso, sem vergonha nenhuma de ser datada e panfletária como as emergências exigem? “Alfa Crucis“, do Bonifrate, mostra uma saída celestial com pé na eletrônica. “O Brasil Quer Mais“, do Lupe de Lupe, além da grandeza estética e lírica, foi o primeiro clipe de artista nacional a ser gravado em Laguna (na ponte Anita Garibaldi) desde “Deslizes”, do Fagner, que tem imagens do cantor no Farol de Santa Marta.

PS: NA VERDADE, NA VERDADE, o álbum do ano é o Both Directions at Once do John Coltrane e a música do ano é Time Song dos Kinks mas né?

A gente lê a notícia e logo quer esquecer
E na festa ouve um Michael pra fingir que não quer ver
Depois compartilha o nome da Marielle Franco
Que ninguém conhecia, pra nunca ninguém esquecer
Mais uma que precisou de morrer pra você saber
Enquanto isso todos sabem quem são os merdas e quais são os seu nomes
E todo mundo acha que tá certo, é difícil demais
Você me diz que o Brasil quer mais
Eu digo quer mais é se fuder
A gente ri mas por dentro a gente chora
E não choramos à toa, não choramos à toa

(…)

Às vezes eu acho que o mundo não tem solução
Jesus não falou pra gente resolver o mundo
Ele não disse mudai-vos uns aos outros, ele disse amai-vos uns aos outros
Mas, Deus, como é difícil

Lupe de Lupe – O Brasil Quer Mais




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