“On My One” – Jake Bugg

O terceiro álbum do inglês Jake Bugg é sem dúvida seu pior. O trocadilho no título com a expressão "on my own" que, numa tradução livre, quer dizer "sozinho", já dita o que está por vir. O álbum foi produzido pelo próprio Bugg e fica bem claro que ele não…

On My One - Universal Music

Universal Music - 5.5

5.5

Definitivamente faltou maturidade na produção do jovem cantor inglês.

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6

O terceiro álbum do inglês Jake Bugg é sem dúvida seu pior. O trocadilho no título com a expressão “on my own” que, numa tradução livre, quer dizer “sozinho”, já dita o que está por vir. O álbum foi produzido pelo próprio Bugg e fica bem claro que ele não estava preparado para isso.

Na maioria das faixas ele navega por vertentes diferentes do Pop e até há momentos bons, mas em sua maior parte o disco é constrangedor. “Put Out The Fire” é a única que se assemelha ao resto do catálogo dele, mas ecoa tudo que há de pior nele. Parece um pastiche mal acabado de Bob Dylan sem personalidade alguma. “Bitter Salt” parece um remix mal feito de alguma música dele mesmo. Algo que tocaria na Jovem Pan no sábado de madrugada. “Love, Hope and Misery” parece algo que o Ian Brown escreveu bêbado, jogou fora e acabou sendo gravada pelo Theodore de “Alvin e os Esquilos”. Porém, eu não estava preparado para “Ain’t No Rhyme”.

Eu tive que fazer uma breve pausa para pensar em um adjetivo que descrevesse na totalidade o quão ruim é esta faixa. Eu falhei. Ela é possivelmente a pior música que eu ouvi este ano até agora. Sim, pior que “Deu Onda”.

Eu confesso que tentei entender o que ele estava tentando fazer. Parece que eles está a imitar o John Mayer e acaba fazendo o que parece a pior tentativa de rap feita por alguém nascido nas ilhas britânicas desde o 5ive. Na sequência, porém, “Livin’ Up Coutry” aliviou meus ouvidos. É talvez uma das melhores faixas de Bugg.

Há muita coisa boa produzida por artistas jovens, mas não é o caso de Jake Bugg, que definitivamente não estava pronto para esta empreitada sem supervisão adulta. É nítida a falta de qualidade e de unidade neste disco. Parece que deixaram uma criança solta dentro de uma imensa loja de brinquedos e ela não sabia com qual brincar primeiro. Este disco acusou uma falta de maturidade muito grande que talvez poucos artistas conseguiriam se recuperar depois. Uma pena.



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


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