Não Basta Querer – Tati Bassi

Trata-se de um disco de "rhytmn and blues à brasileira", com os méritos e deméritos que um empreendimento desse gênero pode apresentar. Tati era vocalista do conjunto rockeiro As Radiotivas, que tinha um quê de Joan Jett, de Stones e de Iggy Pop, mas neste trabalho encara uma vibe à…

Não Basta Querer - Monstro Discos

Não Basta Querer - Monstro Discos - 7.5

7.5

Rock, r&b e blues a brasileira. Nós gostamos!

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8

Trata-se de um disco de “rhytmn and blues à brasileira”, com os méritos e deméritos que um empreendimento desse gênero pode apresentar. Tati era vocalista do conjunto rockeiro As Radiotivas, que tinha um quê de Joan Jett, de Stones e de Iggy Pop, mas neste trabalho encara uma vibe à la Etta James, Sharon Jones e (por que não?) Amy Winehouse.

O álbum foi produzido por Rafael Rosa e Gabriel Guedes, guitarrista da Pata de Elefante, e se podem ouvir discretamente algumas guitarras com a sua “patada” característica.

Antes só de que mal acompanhado”, a faixa que abre o álbum, mostra um arranjo que reúne guitarras surf, órgãos quase cafonas e uma ótima letra. Os timbres do instrumental são de um sessentismo elegante, e o vocal é bastante expressivo. “Não vale não”, a divertida segunda faixa, inaugura o uso de arranjos de metais no melhor estilo Etta James. “Às vezes” é uma balada com um acordeon triste e violão de aço. Tem um quê platino. “Alma” é um R´n´B clássico, com uma temática de terror psychobilly, pianos honky tonk e naipes de sopro. A música parece falar de uma morta: “você tem que me esquecer, não tem outra saída”.

“Desculpe meu bem”, a faixa seguinte, tem teclados à Stevie Wonder e um solo blueseiro digno de nota. “Gatilho” é um dueto que apresenta uma dessas melodias blueseiras clássicas. Dividem os vocais Tati e Thiago Pethit, em participação especial. “Não basta querer”, a faixa que fecha o álbum, é uma espécie de lamento que ganha força e proporções maiores quando entra o naipe de metais.

Há algo na maneira como Tati põe sua voz que parece um pouco desconectada da direção estética que o arranjo propõe. Essa é uma opinião extremamente subjetiva minha, mas a escola americana de R’n’B tem um lastro na cultura deles que é muitíssimo difícil de reproduzir intencionalmente quando “se é de fora”. É algo análogo ao que vemos quando um gringo toca bossa nova. É difícil convencer.

Mas isso quer dizer que nós brasileiros não devemos nos aventurar em estilos ou estéticas que não nos são nativas? Claro que não, cara pálida! A cultura humana é universal e basta ser humano para participar dela. Mas há de se reconhecer a presença da eterna tensão entre “cultura” e “kultur”. A primeira entendida como expressão humana, bastando ser humano para produzi-la e a segunda como o termo que os folcloristas alemães usavam para descrever aquele tipo de expressão que se desenvolve organicamente a partir de uma comunidade específica. Os americanos e ingleses tem um savoir faire no R´n´B que é dificílimo de equiparar.

Para bem ou para mal, ao se aventurar nesse estilo, é com eles que Tati será comparada. E ela soa como uma roqueira brasileira. É um disco bom, que deve agradar os fãs do gênero, e mesmo a mim. Todavia, a cantora e a equipe de produção assumiram um grande desafio ao propor este disco, e as expectativas sobre ele, dessa forma, são proporcionais.



Bruno Ruffier estuda filosofia e direito, tocou com os baby budas e plato divorak e tem um tataravô que inventou a batata.


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