Mundo Livre S/A – A Dança dos Não Famosos

Após sete anos sem material inédito uma das principais bandas surgidas em Pernambuco retornou em 2018 com material inédito. O Mundo Livre S/A gravou em 2011 “Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa”, para entrar logo depois num looping de covers (Mundo Livre S.A. x Nação Zumbi) ou um revisitar seu…

A Dança dos Não Famosos - Monstro Discos

A Dança dos Não Famosos - Monstro Discos - 8.1

8.1

Entre erros e acertos, o novo trabalho do Mundo Livre S.A. é acima da média!

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8

Após sete anos sem material inédito uma das principais bandas surgidas em Pernambuco retornou em 2018 com material inédito.

O Mundo Livre S/A gravou em 2011 “Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa”, para entrar logo depois num looping de covers (Mundo Livre S.A. x Nação Zumbi) ou um revisitar seu próprio universo musical, “Mangue Bit Ao Vivo”.

Experimental ao máximo, “A Dança dos Não Famosos” flerta com música eletrônica ao mesmo tempo que faz uma ponte inusitada entre o punk e o estilo Jorge Benjor de ser.

Após mais de 20 de estrada, Fred Zero Quatro insiste em soar um desnecessário pastiche do compositor e cantor carioca algumas vezes. Zero Quatro é um dos bons compositores da safra da década de 90. Como vocalista, é ok. A prova disso é saber construir letras ácidas e saber compor verdadeiros hinos de gerações passadas. Por isso não há necessidade de soar como um ídolo seu. Ele pode absorver as coisas boas, mas sem se prender ao jeito do carioca de cantar.

Mas ao mesmo tempo que o novo trabalho tem vigor, possui alguns defeitos que não passam incólumes.

Tóxico” a quarta faixa do sétimo trabalho de inéditas é desnecessária. Com uma introdução bacana e um refrão que merecia mais atenção, corria o risco de soar um pop inteligente, até os 02:19, onde começa um “la la la la la” desproposital.

O recurso não é desconhecido em nenhum tipo de gênero musical, mas parece ter sido colocado para encher linguiça no final da canção.

Special Manguechild” ao contrário, vai num lirismo sem tamanho ao flertar com britsh pop e escancarar uma verve quase canastrona de Zero Quatro. Ao arriscar a autorreferência e flertes quase eruditos (como os acompanhamentos de cello), o que poderia se tornar risível, ficou bacana. Quase como fora do contexto.

A critica politica retorna em “Eletrochoque de Gestão”, um apontar de dedo direto ao ex-vice presidente que se tornou presidente. Pegada dos anos 90 com direito a tecladinho bacana e sem querer ser outro cantor, se não, si mesmo!

E quem diria que até os Engenheiros do Hawai seriam reverenciados musicalmente pelos pernambucanos? Se ao escutar “Bailei de Calção Um Zero a Mais” você não encontrar uma pequena homenagem não apenas aos gaúchos, mas a Jovem Guarda, o leitor não tem referências musicais suficientes para entender a canção ou não entende a ironia musical.

Vem pra Rua Tomar na Cabeça: Um Passo Novo” é porrada na cabeça encontrando piano erudito e música de protesto, a verdadeira face do experimentalismo!

Resumo da ópera: apesar dos deslizes, o disco cumpre seu papel. Flerta a maior parte do tempo com a provocação em letras e sonoridades desencontradas. O maior risco de uma banda é não saber sair da sua zona de conforto, e o Mundo Livre S.A. soube bem-fazer isso.

Um libelo a provocação não gratuita!

 

 



Passou dos 30 e poucos anos faz tempo, resenhista (aka crítico musical), editor e amante das boas coisas da vida: música, cinema, literatura, teatro e o que mais envolver artes! Já escreveu para jornais, revista, sites e hoje batalha nesse humilde espaço. Poeta nas horas vagas, já percorreu o Brasil, mas hoje vive em São José, bem ao lado de Florianópolis.


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