Megadeth – Dystopia

É surpreendente que o Megadeth ainda exista. Depois de tantas trocas de integrantes, problemas de saúde de seu líder, Dave Mustaine, e as infinitas controvérsias que ele e a banda parecem estar se envolvendo sempre. Estas coisas, desde sua conversão ao cristianismo depois de anos de abuso de drogas, até…

Dystopia (Universal Music)

Universal Music - 5.9

5.9

"The threat is real", canta Dave Mustaine. Se ele estava falando sobre os nossos ouvidos, ele está certo.

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6

É surpreendente que o Megadeth ainda exista. Depois de tantas trocas de integrantes, problemas de saúde de seu líder, Dave Mustaine, e as infinitas controvérsias que ele e a banda parecem estar se envolvendo sempre. Estas coisas, desde sua conversão ao cristianismo depois de anos de abuso de drogas, até suas críticas ao ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, parecem às vezes ter mais destaque que a música em si. Depois de um período de incertezas com a saída de vários membros, a formação da banda parecia ter se estabilizado e o brasileiro Kiko Loureiro, do Angra, entraria como o novo de guitarrista.

Logo de cara, a primeira faixa escancara um dos maiores problemas do álbum: a voz de Dave Mustaine. Os três anos que separam “Dystopia” de “Supercollider” realmente impactaram o timbre e a qualidade da voz dele. Não é como se ele fosse um grande cantor, mas parece que o sujeito está fazendo gargarejos com pregos. A voz dele parece rouca, cansada e arranhada em todas as faixas no álbum.

A entrada de Kiko certamente impactou a sonoridade da banda. A faixa título “Dystopia” bem que podia ser uma faixa do Angra e apesar disso é bem razoável, mas novamente caímos no problema da voz de Dave Mustaine estar completamente deteriorada. Os timbres de guitarra, principalmente, estão longe do que se é esperado num álbum do Megadeth e também estão mais próximos do Angra e do metal melódico que do thrash/speed metal que tornou a banda famosa.

Lá pela metade do disco, com “Death From Within” as coisas começam a voltar ao esperado, mas aí vem “Post American World” e novamente parece que estamos ouvindo uma música do Angra. O álbum tem seus pontos altos, mas não é como se houvesse uma música toda boa. Há bons elementos em todas as faixas, mas parece que algo ficou faltando no meio do caminho, como se a composição de todas ficasse incompleta. “The Emperor” é a faixa que mais parece uma música completa. Não é perfeita, claro, mas é talvez a melhor faixa do álbum.

Estou tentando definir o que tem de pior neste álbum Megadeth. “Dystopia” é formulaico demais, e talvez os timbres sejam frios e o modo Kiko Loureiro de tocar deixe tudo mecânico, embora rápido. A voz de Mustaine não está nos seus melhores dias, mas, no fundo, o pior de tudo é que não parece um álbum do Megadeth, e sim um álbum do Angra com um vocalista pior.



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


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