Mattilha – Crônicas do Underground

Veterana da noite paulistana, a Mattilha parece estar muito orgulhosa de seu segundo álbum. Com certo receio peguei a incumbência de resenhar este álbum depois de ter rodado uma nota sobre seu lançamento, apenas poucos dias atrás. Uma parte de mim está cansada de ouvir bandas de rock e ter…

Crônicas do Underground (Abraxas Records)

Abraxas Records - 7

7

Um hard rock com cheiro de cerveja derramada e bitucas de cigarro no final da festa na frente do bar.

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Veterana da noite paulistana, a Mattilha parece estar muito orgulhosa de seu segundo álbum. Com certo receio peguei a incumbência de resenhar este álbum depois de ter rodado uma nota sobre seu lançamento, apenas poucos dias atrás. Uma parte de mim está cansada de ouvir bandas de rock e ter que ser o cara que vai dizer “isto aqui tá uma merda” pela primeira vez para uma banda que colocou seu sangue e sua alma (sem falar em dinheiro do próprio bolso) e que, cercada de parças, nunca havia ouvido uma crítica sequer. Construtiva ou não.

Para a minha sorte, não era o caso. A banda é ótima.

O álbum começa propriamente dito na segunda faixa, com “Bico Sujo”, com uma contagem no chimbal e um riff destruidor. Uma grande preocupação minha antes de colocar este álbum pra tocar foi a qualidade do vocalista. Graças aos Deuses do Rock o vocalista Gabriel Martins é ótimo! A voz dele parece ter sido feita pro gênero, tal qual um Sebastian Bach, com agudos impressionantes e um drive natural bem composto. Só me incomodou um pouco a dicção de algumas palavras em português que soam como se estivessem sendo pronunciadas em inglês, um vício comum em cantores de rock, mas nada que desabone o produto final.

No final, só não entendi a primeira faixa, “Crônicas do Underground”. O diálogo entre o músico e o “Sargento Lacerda” parece autobiográfico, mas desaparece sem conclusão. A música acelerada, lo-fi e com um sax de motel difícil de engolir. Parece deslocada no álbum e não serve como uma introdução a nada. Mesmo que o tema central do álbum seja o corre de tocar na noite, a faixa não dita o tom certo do álbum, nem das letras, nem do som que irá se seguir.

Voltando um pouco pra trás, ouvi o primeiro play da banda de 2014 e é nítida a evolução da banda em praticamente todas as frentes. Os timbres estão mais bonitos, a produção do álbum está infinitamente melhor, assim como a qualidade das composições. “Pronto Para Rodar II”, que conta com a participação de Cyz Menezes, é um bom exemplo disso. É aquela música acústica obrigatória para as bandas de hard rock, mas que mostra a banda disposta a sair um pouco da zona de conforto e largar os harmônicos artificiais e o pedal duplo de lado um pouco.

Se ainda há espaço para roqueiros veteranos em meio a um cenário com cada vez mais WS, a Mattilha parece ainda ter muito a dizer sobre o corre deles.



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


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