MARA SARVA TRUTA – FIRMA FORNO

Sempre criticamos pequenos e grandes pecados dentro do universo musical. Independente do tamanho do artista/banda. O primeiro pecado desse grupo é o nome: MARA SARVA TRUTA. Quem em sã consciência colocou esse nome no grupo? É terrível! Não consegui entender nada! Quem é MARA? O Sarva deve ser Salva e…

Firma Formo - Independente

Firma Formo - Independente - 8.2

8.2

Um rap feito com qualidade e pequenos escorregões. Um trabalho independente bacana que merece mais espaço!

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8

Sempre criticamos pequenos e grandes pecados dentro do universo musical. Independente do tamanho do artista/banda.

O primeiro pecado desse grupo é o nome: MARA SARVA TRUTA. Quem em sã consciência colocou esse nome no grupo? É terrível! Não consegui entender nada! Quem é MARA? O Sarva deve ser Salva e Truta, ok..mas juntando as 3 palavras, na minha humilde opinião, o nome é triste! Pesquisando, descobri a origem do nome, Mara Salvatrucha, que é uma facção oriunda de imigrantes de El Salvador que se organizaram nos EUA. Primeiramente em formato de gangues e depois se tornam facção.

A origem do nome é interessante, mas continua ruim em português.

Mas o que importa é a música, então, vamos lá!

O grupo que é formado por: Gera Cappadona, Pikena Ketty, Rudah Zion e Homar M$. Todos são extremamente afinados. O ranço com o nome vai se desanuviando.

As bases utilizadas são bem encaixadas com as letras. Tudo redondo. Mais um ponto.

O envelope que embala o CD independente é ruim. Uma bagunça visual, mas ok. Vamos voltar a música.

De primeira, me chama a atenção, “Tim Tim” e “Firma Formo”. Essa última com base de “You Don´t Know What I Know” do Tim Maia. Bom casamento entre a música e a letra que lá pelo final resolve fazer uma homenagem a conhecidos dentro do universo musical do rap e amigos do grupo. Ficou bom, me surpreendeu.

Em meio a rappers famosos, o grupo faz um rap de bom nível. O problema é a repetição de clichês sociais e frases de “efeito”.O famoso discurso nós x eles, escravidão e socialismo servem como base para inúmeros grupos e artistas. Mas quando mal utilizado, se torna um clichê. Uma ladainha sem tamanho. A letra pode ser boa, mas o resultado é ruim, como na faixa “Moderna Escravidão”.

Entre erros e acertos, o grupo é bom. Talvez por uma necessidade de aceitação dentro do universo do rap, o linguajar e palavras utilizadas lembram muito o rap paulista da década de 90.

Não é ruim ter uma referência, mas tentar ser um filho de 20 anos atrás, talvez afaste o futuro que pode se descortinar para o grupo.

Olhar para a frente e se tornar referência. Esquecer a escola tradicional do rap e utilizar um pouco mais elementos do que vem abrindo o mercado para artistas do gênero, pode tirar do gueto grupos bons como esse!

Salve Mara Sarva Truta!



Passou dos 30 e poucos anos faz tempo, resenhista (aka crítico musical), editor e amante das boas coisas da vida: música, cinema, literatura, teatro e o que mais envolver artes! Já escreveu para jornais, revista, sites e hoje batalha nesse humilde espaço. Poeta nas horas vagas, já percorreu o Brasil, mas hoje vive em São José, bem ao lado de Florianópolis.


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