Lenda do indie rock Wry volta à Floripa!

Por mais que se esforcem, nem os próprios integrantes do Wry devem se lembrar qual teria sido a primeira e última vez que tocaram em Florianópolis. Pois bem, após mais de dez anos (o show ocorreu em 2002 no extinto Underground, na Lagoa da Conceição) o quarteto de Sorocaba que já viveu e labutou em Londres durante 7 anos, volta a pisar na capital, no Taliesyn Rock Bar (Rua Victor Meirelles, 112, Centro).

Com um show que passará por 17 cidades em 7 estados diferentes, o grupo traz um “novo” trabalho intitulado “Whales, Sharks and Dreams” que contem uma canção nova, “A Million Stars In Your Eyes”. As demais músicas foram lançadas em dois trabalhos distintos, entre os anos de 2007 e 2014. Apesar de ser uma espécie de coletânea, o álbum é especial. Pela primeira vez a banda em quase 20 anos de carreira estará lançando um álbum cheio em vinil.

Cientes de que novas gerações irão assistir ao show pela primeira vez o grupo terá a abertura dos catarinenses do Rec On Mute, de Jaraguá do Sul que também trará seu trabalho de estréia “Hereafter”, que obteve elogios de vários veículos da imprensa com um bom número de downloads.

Embora as duas bandas estejam separadas por muitos anos de nascimento, a praia que ambas trafegam é bem comum: rock alternativo dos anos 80 e 90, shoegazer, generosas pitadas dos londrinos do Jesus and Mary Chain e os norte americanos da finada Sonic Youth.

Com um clima muitíssimo mais ameno, será a oportunidade do público da capital se sentir em Londres e ao mesmo tempo prestigiar umas das pedras fundamentais da cena independente da década de 90 e uma das melhores bandas da nova safra da música catarinense.

Serviço:
Data: 01/05 Domingo
Início: 21h
Local: Taliesyn Rock Bar – Rua Victor Meirelles 112 Centro Floripa
Ingressos antecipados R$15 a partir do dia 20/04 na PULP STORE – Rua Jerônimo Coelho 312 Centro Florianópolis, R$20 no evento.

O Underfloripa aproveitou que o Wry volta à Florianópolis no próximo domingo, dia do trabalhador e com exclusividade entrevistou Mário Bross, vocalista do Wry.

Underfloripa – Em uma entrevista há dez anos, você falava que “Somos pobres e apavoramos e driblamos toda uma incompetência, burocracia, conservadorismo e alienação de muita coisa no Brasil.”

Passado tanto tempo, sua opinião sobre o Brasil mudou?

FONTE: http://www.screamyell.com.br/outros/mariotres.htm

Mario Bross – De acordo com isso aí que falei não, porém, talvez, bem devagar, a parte da burocracia até melhorou um pouco, o restante acho que continua igual.

Underfloripa – Depois que vocês voltaram de Londres, você se tornou dono de um bar que em pouco tempo se tornou referência dentro do cenário independente. Como está sendo a experiência de produtor e empresário ao invés de estar no palco?

Mario Bross: A experiência é muito boa, me divirto muito e trabalho bastante para que seja algo legal, real e não apenas pra nos dar dinheiro. No começo não deu pra ter a banda e o bar ao mesmo tempo, hoje em dia, com uma equipe boa no bar, podemos sair tocar.

Underfloripa – O Wry é uma referência para as bandas mais novas, não existe dúvida alguma disso.Como todas as bandas deve ter passado por muitos problemas durante a sua longa caminhada. Como falta de estrutura para tocar, pouco dinheiro, entre outros problemas que assolam o meio independente. Porque então voltar com a banda após um hiato de cinco anos? O amor à arte falou mais forte?

Mario Bross: Isso mesmo! Talvez até o amor pelo WRY, pelas músicas que fizemos e que estamos fazendo. Continua difícil sim, as bandas precisam se adaptar, mas ao mesmo tempo bater de frente para que as coisas aconteçam com um mínimo de estrutura. Não mudou muito.

Underfloripa – Vocês trabalharam com todas as mídias: CD, fita cassete, EP, streaming, myspace, youtube, compacto em vinil, o vinil cheio era um sonho antigo da banda ou pedido dos fãs?

Mario Bross: Sonho recente, coisa de 8 anos atrás. Somos consumidores de vinis, pelo menos alguns da banda compram discos regularmente, seja antigo ou lançamento. O selo americano nos perguntou qual o formato e não hesitamos em dizer “vinil, é claro”!

Underfloripa – Porque a banda demorou tanto tempo para voltar para Florianópolis?

Mario Bross: Nas últimas turnês não viemos mesmo, mas não sei dizer o porque. Até eu me pergunto também! Se tem lugares pra tocar ou festas nas casas, a gente vai!

Underfloripa – O que você falaria pra uma banda iniciante e o que você falaria para você se tivesse a oportunidade de voltar 20 anos no tempo?

Mario Bross: Pergunta boa! Pra banda nova eu falaria pra tentar descobrir o que realmente pretende com a banda, e com isso estudar como fazer pra conseguir. Vale lembrar que até pra saber o que queremos é difícil, muitas vezes confundimos com merecimento.

E o que falaria pra mim? Olha, eu diria tantas coisas, são tantas as possibilidades de futuro, que chega a embaralhar a minha mente. Eu gosto de como a nossa história se desenrolou até o momento.


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Passou dos 30 e poucos anos faz tempo, resenhista (aka crítico musical), editor e amante das boas coisas da vida: música, cinema, literatura, teatro e o que mais envolver artes! Já escreveu para jornais, revista, sites e hoje batalha nesse humilde espaço. Poeta nas horas vagas, já percorreu o Brasil, mas hoje vive em São José, bem ao lado de Florianópolis.


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