Lê Almeida, multiartista, homem de negócios e operário da cena indie brazuca!

Nunca o lema punk foi tão apropriado por um músico do cenário independente brasileiro. Lê Almeida, o músico autodidata que saiu do subúrbio carioca e se estabeleceu no Centro do Rio de Janeiro é uma daquelas pessoas que consegue encontrar tempo para fazer quase tudo.

De comandar um selo e gravadora ao lado de seu amigo João Cascaes (Transfusão Noise Records), gerenciar o clube de entretenimento, Escritório e claro, fazer colagens que se transformam em capas de discos, cartazes e obras de arte.

Isso porque nem começamos a elencar suas ex-bandas, bandas atuais e carreira solo. São mais de uma dezena de trabalhos ao longo de uma carreira consistente de mais de uma década.

Em meio a um 2018 repleto de afazeres, turnês e lançamentos, conseguimos uma entrevista que misturou um pouco de tudo: whats up, e-mail e pessoalmente (em Curitiba no último dia 16/11).

Apreciem e compareçam no show que vai rolar no dia 24/11 no Taliesyn em Florianópolis!

ENTREVISTA COM LÊ ALMEIDA

Underfloripa – Você passa a impressão de ser uma pessoa muito calma e centrada. Será por isso que existam tantas músicas e projetos que vão se emendando um após o outro?

Lê Almeida – Nem sempre fui calmo como sou hoje em dia, mas acho que a partir do momento que eu encontrei pessoas ligadas realmente a ideia de som e a filosofia de vida de se tocar por ai e gravar discos a coisa toda tomou uma forma espontânea e natural.

Underfloripa – Suas influências vão de krautrock ao baião. Os andamentos de algumas canções são free jazz puro com levadas de rock e letras que alguns momentos parecem ser cifradas. Fogem do lugar-comum. Como você aprendeu a tocar e o que te inspira a escrever?

Lê Almeida – Aprendi a tocar com amigos do meu bairro, mas tocava bateria, depois migrei pra guitarra. Ouvi muito classic e indie rock, depois com o tempo, fui me interessando por muita coisa obscura brasileira. Fui recriando meu modo de cantar e fazer letra. Hoje em dia ouvir muitas coisas diferentes me motiva demais, além dos muitos improvisos que fazemos com o Oruã.

Underfloripa – A estética lo-fi está presente na sua música. O punk principalmente, porque você não espera cair no colo algum selo ou gravadora, tanto que acompanhado de seu sócio, surgiu a Tranfusão Noise. O que é mais difícil? Gerenciar a sua carreira, lançar tantos trabalhos de outras bandas ou ser um homem de negócios a frente disso tudo?

Lê Almeida – Atualmente a gente só lança discos das nossas próprias bandas, voltamos a agir como no início do selo, é mais divertido e familiar. No Escritório somos muito abertos a vários eventos que não sejam só presos ao rock e estimulamos muito que as pessoas criem suas próprias coisas e sigam em frente!

Underfloripa – Quando se vê bandas e artistas reclamando da falta de espaço para tocar ou selos para lançarem seu trabalhos, o que Lê Almeida teria a dizer para elas?

Lê Almeida – Meio que respondi anteriormente, mas é isso, criar seus próprios movimentos, fazer conexões que sejam reais, amizade sincera.

Underfloripa – Alguns discos seus são fruto de experimentações e muitas colaborações de amigos e outros músicos. O que você prefere? Gravar sozinho ou com amigos?

Lê Almeida – Essas colaborações foram muito bem arranjadas. Eu já gravei demais sozinho e tem um tempo que já venho gravando com o pessoal direto, curto os dois modos, porém tocando ao vivo com a galera é mágico!

Underfloripa – Li que algumas fases da sua vida refletem em canções que aqueles que não lhe conhecem não percebem esse viés de “desnude emocional”.É complicado compartilhar sentimentos nas músicas?

Lê Almeida – Acho tranquilo, é só que é a realidade mesmo.

Underfloripa – Para concluir, o que o Lê Almeida de 2018 falaria para aquele rapaz de Vilar dos Teles de mais de uma década atrás que estava começando? E que conselho você daria para outros artistas que estão começando?

Lê Almeida – Continue, confie sempre nos seus amigos e cague para opiniões alheias!

SERVIÇO:

O quê: Macarrão Ao Vivo Sessions com: Confeitaria (MG), La Leuca (SC) e Oruã (RJ)
Quando: 24/11 às 22:00
Onde: Taliesyn Rock Bar
Endereço: Rua Vitor Meireles, 112, Centro, Florianópolis
Quanto: R$ 10,00 a noite toda



Passou dos 30 e poucos anos faz tempo, resenhista (aka crítico musical), editor e amante das boas coisas da vida: música, cinema, literatura, teatro e o que mais envolver artes! Já escreveu para jornais, revista, sites e hoje batalha nesse humilde espaço. Poeta nas horas vagas, já percorreu o Brasil, mas hoje vive em São José, bem ao lado de Florianópolis.


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