“Layers” – Kungs

Acho curioso quando um música eletrônica não parece música eletrônica. O álbum de estreia do DJ francês de 19 anos Kungs é assim. Ele diz que cresceu ouvindo The Who e Kinks com seu pai, e apesar de não haver nenhuma referência óbvia ao rock clássico em suas músicas, talvez…

Layers (Universal Music)

Universal Music - 8.3

8.3

A trilha sonora perfeita para lojas de roupa descoladas ou para desligar o cérebro no ônibus.

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8

Acho curioso quando um música eletrônica não parece música eletrônica. O álbum de estreia do DJ francês de 19 anos Kungs é assim. Ele diz que cresceu ouvindo The Who e Kinks com seu pai, e apesar de não haver nenhuma referência óbvia ao rock clássico em suas músicas, talvez essas influências tenham ajudado a deixar o álbum mais orgânico.

Este ainda é um disco de EDM e as batidas fluem. O álbum começa com a dançante “Melody” e logo vai para o remix de “This Girl” do trio australiano “Cooking on Tree Burners”, música que o deixou famoso. Fazer um remix dançante de uma música de um trio de funk parece algo easy mode, fácil demais. Não é, e o jovem francês soube respeitar o material original e ainda deixá-lo com a sua cara.

Há de se respeitar o bom gosto do DJ e produtor na escolha de timbres e nas vozes que acompanham as suas músicas. Além disso, há uma mistura coerente de músicas mais ativas e mais introspectivas. Ouvi o álbum pensando em como pessoas dançariam cada uma das músicas em um festival. Claro, ouvir estas músicas no carro ou no metrô é ótimo, mas este material foi feito para grandes festivais, palcos grandes e pirotecnia. Nada muito frito, como gêneros deep pedem, mas pouco material introspectivo também.

O trabalho do DJ francês parece feito para a rádio FM. Parece algo que foi feito para ser trilha sonora de lojas de roupas modernosas e descoladas. Para se dançar sozinho, devagar, curtindo a música e sem se importar se alguém está olhando, e não há nada de errado nisso.



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


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