Laboratório du Rock – Laboratório du Rock, Vol. 2

Laboratório du Rock, Vol. 2 (Independente)

Independente - 1.9

1.9

O simples fato deste álbum ser o segundo volume de alguma coisa me faz temer pelo futuro da humanidade.

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Se há algo insuportável no rock, especialmente nos dias de hoje, é a insistência numa masculinidade tóxica que projeta mulheres hiper sexualizadas em suas capas e letras. Vendo a capa do segundo trabalho do Laboratório du Rock, projeto de muitos integrantes veteranos da noite florianopolitana, com a boca de uma moça de batom vermelho escarlate mordendo uma palheta com o logo da banda, só consigo sentir um misto de nojo com vergonha alheia. Então eu fui ouvir o trabalho e minha primeira impressão permaneceu.

Pra começo de conversa, eu preciso lidar com uma banda que acha engraçadinho escrever o nome com um trocadilho em uma conjunção. Eu não me importo que o nome do capitão do projeto seja Eduardo ou atenda por Du, escrever o nome da banda com “du” é de uma falta de classe inominável. “Ah, Alexandre, mas os Beatles também tinham um trocadilho no nome”… Por favor, né? Não vamos comparar a maior banda de todos os tempos com este projeto de fundo de quintal, né? E também não vamos meter o Motley Crüe nessa, por favor?

Se parece que eu estou fugindo do assunto de falar sobre a música, é porque estou mesmo. Eu não quero falar sobre a música. Eu fiquei irritado ouvindo este disco. Irritado mesmo, de verdade. Estou escrevendo esta resenha e cada palavra que sai dos meus dedos e vai para o teclado me deixa mais irritado. Irritado como fico num ônibus cheio indo para o trabalho na segunda-feira de manhã, torcendo para achar uma sacola cheia de armas no meio da rua e dar uma de Michael Douglas no filme “Um Dia de Fúria”.

Não está em pauta as qualidades técnicas de ninguém aqui, mas quando eu ouço uma canção como “O Sândalo”, a segunda faixa deste disco, eu quero matar alguém. A começar pelo meu editor, o Luciano Vítor, que me deu esta bela merda para resenhar. Começar uma música com um riff alternando acordes de Sol Maior e Dó Maior é de uma falta de criatividade e originalidade que só um projeto de Rock poderia nos proporcionar.

E não melhora. Não dá nem pra dizer que piora porque tudo soa datado, velho, clichê. Não há nada de original aqui. As músicas podem ser inéditas e composições próprias, porém não passam de versões bisonhas de versões bisonhas de tudo que está sendo feito no Rock nos últimos 50 anos com ecos de Rock Gaúcho cantado por alguém que aprendeu a cantar imitando o Cazuza em bandas de baile. São músicas que colam bem em clubes de motociclistas com outros quarentões e cinquentões entre um cover de AC/DC e outro dos Ramones.

Tenho certeza que os cavalheiros que gravaram este negócio se divertiram pra cacete enquanto tomavam cervejas e davam gostosas gargalhadas. Eu, por outro lado, não me diverti nem um pouco. São trabalhos como este que fazem as pessoas dizerem coisas como “o Rock morreu”. Não, o Rock ainda não morreu, mas o Rock do Laboratório certamente está zumbificado e andando pelas ruas de Florianópolis à procura de cérebros para devorar.



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


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