Justin Bieber – Purpose

Purpose (Universal Music)

Universal Music - 6.9

6.9

Um esforço louvável com boas músicas de uma voz em amadurecimento.

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Estou disposto a admitir que eu fui injusto com Justin Bieber durante boa parte de sua carreira. Ouvindo novamente algumas coisas que ele gravou ao longo dos últimos dez anos, confesso que fui injusto com o jovem cantor. Há muita coisa boa no catálogo dele e definitivamente, o jovem sabe cantar. E acho que isto é um do principal problema deste disco.

No final de  2015, quando estourou “Sorry”, o principal single deste álbum do mesmo ano, de repente gostar e Justin Bieber se tornou algo socialmente aceitável e passamos de ouvir “Baby” ironicamente na balada para realmente ouvir, curtir e dançar “Sorry”. O álbum está repleto de um repertório pop muito digno, como “The Feeling”, com participação da cantora Halsey. Além dela, há inúmeras participações de grandes artistas, como Diplo, Big Sean, Travis Scott e o lendário rapper Nas, que fazem com Bieber algumas das melhores canções do álbum. Tem um pouco de tudo, músicas dançantes, baladas no piano, como a xarope “Life is Worth Living”, pop para ouvir no carro e no chuveiro. Só senti falta de uma daquelas de quebrar a pista, de fato fez falta. Estava esperando isso em “Where Are Ü Now”, e, no final, ela não veio.

Porém, há um elemento um pouco estranho no disco. Normalmente aqui é a parte onde eu questionaria a quantidade absurda de compositores e produtores de cada faixa deste álbum. Normalmente, isto resultaria numa colcha de retalhos sem muita unidade, mas aqui, a produção da maioria das faixas passou pela mão de Skrillex e de BloodPop (aqui assinando apenas como Blood) e há uma boa coerência e uma unidade notável, logo este não é o problema.

Apesar do principal single se chamar “Sorry”, há uma atitude meio “foda-se” no disco. O Bieber jovem adulto tatuadão parece ter produzido este álbum querendo se distanciar do Bieber pré-adolescente com cabelo de cuia, aí faz um disco com uma pegada “adulta”, mas ao mesmo tempo, as letras não condizem com o que está sendo proposto. Boa parte das músicas parece um grande “foda-se” para a imprensa, os paparazzi, os fãs. “Mark My Words” e “I’ll Show You”, as faixas que abrem o disco estão cheias dessa atitude, mas ela está presente até na já citada “Life is Worth Living”, com versos como “People make mistakes; Only God can judge me” (“Pessoas comentem erros; Só Deus pode me julgar”).

Justin Bieber se esforçou bastante para transcender da adolescência para a vida adulta, mas ainda falta um bocado para isto. No final das contas, foi um esforço louvável. Agora, com o aparente hiato do jovem em sua carreira, veremos o que está por vir.



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


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