“Just Listen To” – Two Wolves

Botei os olhos na capa em preto e branco, no triângulo que decora a arte de capa e no ar blasé dos integrantes da banda e me veio à mente o meme do Doge: "wow so hipster much triangle very glasses wow so alargador wow" O disco entrega exatamente o…

Just Listen To (Monstro Discos)

Monstro Discos - 5.5

5.5

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6

Botei os olhos na capa em preto e branco, no triângulo que decora a arte de capa e no ar blasé dos integrantes da banda e me veio à mente o meme do Doge:

“wow so hipster much triangle very glasses wow so alargador wow”

O disco entrega exatamente o que se ele se propõe a entregar: Um pastiche de bandas de indie rock da última década. A banda goiana passa por dez faixas onde todos os chavões do gênero estão lá, até o final de música inesperado no meio do refrâo à Strokes. Em alguns momentos eles chegam a me lembrar bastante a banda texana …And you will know us by the Trail of Dead. Em outros momentos, como em “Will You Be There To” eles parecem o filho bastardo deles com o Kings of Leon de “Sex On Fire”.

No geral, o disco não é ruim. Tem momentos horríveis, como a chatíssima “Ancient Astronaut” e “Someone Who Never Came”, mas no geral é um disco legal. Esta última faixa, porém, não é uma música ruim, pelo contrário, é até OK, mas não conversa com nada do resto deste disco. Ela até entrega dois dos principais problemas que eu encontrei aqui. A produção é errática. Não ouço um conjunto coerente nos arranjos e, por vezes, até nos timbres. As letras são bem lugar comum também.

Outro problema, mais grave, é o vocalista. A voz é fraca, falta um pouco de carisma e canta todas as músicas do mesmo jeito. Pior, sendo todas as músicas em inglês, não há um cuidado com a língua. Não cabe aqui a minha crítica recorrente a bandas brasileiras cantando em inglês, o problema com a Two Wolves é outro. A banda se esforça por demais em parecer gringa, mas as letras entregam muito que foram escritas por uma pessoa que não tem o idioma anglosaxônico como nativo e pronúncia do vocalista Lineker Lancellot falha um bocado. Não é o caso de mandar o sujeito fazer um cursinho na Open English, mas é certamente insuficiente para uma banda que quer soar anglofônica.

No final da contas, não há nada de novo embaixo do sol. Não que eu creia que eles tem como objetivo sair de Senador Canedo para mudar o mundo, porém, não os vejo mudando muito o interior de Goiás.



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


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