INXS, a banda mais subestimada da Austrália

Quando se pensa em música na Austrália, a primeira coisa que vem à mente da maioria das pessoas é o AC/DC e o Angus Young vestido de uniforme escolar. Algumas vão pensar no Men at Work e talvez alguns mais jovens irão pensar nos neosetentistas psicodélicos do Tame Impala. Eu? Eu penso em INXS.

Você não conhece INXS? Faça um favor à si mesmo e ouça o disco “Kick” ainda hoje.

Eu ouvi o nome “Michael Hutchence” pela primeira vez em 1998. Naquele ano, o U2 tocou pela primeira vez no Brasil em São Paulo. Eu era muito novo pra ir viajar sozinho e, na verdade, nem gostava muito de U2. Minha irmã mais nova, por outro lado, adorava. Não fomos no show, mas ele passou ao vivo na MTV naquela noite de 31 de janeiro. Assistimos e gravamos o VHS daquele espetáculo de luz, cor e som e fomos dormir. Anos depois eu fui resgatar essa fita e antes de começar a tocar “Gone”, uma das melhores faixas do disco Pop, Bono dedicou a música à Michael Hutchence.

“This one’s for Michael Hutchence.”

“Who the fuck is Michael Huchence?”, perguntou minha mente adolescente. Continuei vendo o show e nem pensei muito naquilo por algum tempo. Algum tempo depois estava a ouvir “Gone” novamente e o nome “Michael Hutchence” voltou à minha mente. Fui na internet pesquisar quem era o cara. Era o finado vocalista da banda australiana INXS, a qual eu nunca tinha ouvido, mas já tinha visto o CD na casa de praticamente todos os pais dos meus amigos. Parecia que era obrigatório. Todo pai que se prezava tinha que ter uma cópia do Greatest Hits II do Queen, o Pulse do Pink Floyd, com o LED vermelho do lado da embalagem piscando eternamente, e o The Greatest Hits do INXS.

Este aqui.

Pois bem, baixei o CD e fui ouvir ele. Por algum tempo “The Strangest Party (These Are The Times)” tocou num repeat eterno no meu quarto.

O INXS é dessas bandas que flutuam entre gêneros. Tem pegada de rock, mas muitos elementos de pop também. As guitarras dividem espaço com os metais. A bateria eletrônica tipicamente dos Anos 80 está lá junto com a impecável voz e presençade Hutchence. São tantos hits, tantas músicas boas, tantas músicas de fazer ferver que, para mim, é incompreensível que eles são tão ignorados hoje em dia. Os discos “Kick” e “Listen Like Thieves” são clássicos e mesmo discos menores como “Full Moon, Dirty Hearts” tem hits estupendos como “The Gift”.

A morte de Hutchence selou o fim da banda, embora seus membros remanescentes ainda tentaram mantê-la viva quando participaram de um reality show para escolher um substituto. E, obviamente, o pobre JD Fortune está para Michael Hutchence assim como o Adam Lambert está para o Freddie Mercury.

Anos depois, Justin Timberlake no Rock In Rio fez um breve cover de “Need You Tonight” emendando com “Sexyback”. Na hora pensei que se Michael Hutchence ainda estivesse conosco, ninguém precisaria trazer nada de volta.



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


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