Hollywood Vampires – Hollywood Vampires

Hollywood Vampires (Universal Music)

Universal Music - 6.5

6.5

Uma mítica farra na Hollywood dos anos 70 é o motor para que um dream team roqueiro se reúna e toque de clássicos do rock.

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Quando este álbum cai em mãos distraídas, uma das primeiras questões que podem surgir é de como ele aconteceu. Se esforçando nessa dúvida e com um rápida bisbilhotada no que a própria banda disse, chegamos na premissa do álbum que é precisa quando definida como a reunião de amigos que celebram a memória do grupo que ficou nos anos dourados. A coisa fica interessante quando vemos tanto quem homenageia quanto quem é homenageado, e ainda mais pensando que as pessoas relacionadas nessa história têm nas suas vidas uma confusão de fatos e ficções que compõem suas biografias.

Estamos falando de um time de roqueiros reunido por Alice Cooper, Johnny Deep e Joe Perry para homenagear o mítico grupo – e já referenciado no título – Hollywood Vampires. Grupo esse que era composto por figurões como Keith Moon, Ringo Starr, John Lennon, John Belushi, Micky Dolenz, o próprio Alice, entre outros tantos. Eles se consideravam oficialmente um grupo devido a sua assiduidade no Rainbow Bar and Grill, em Hollywood. Sobre eles se autodenonimarem vampiros, entre a história declarada (Alice conta que é pela bebedeira acontecer madrugada a dentro) e os limites de nossa imaginação, acho que podemos escolher a que melhor convir.

A primeira faixa dá um gosto interessante do que está por vir. O protagonista de “The Last Vampire” é uma inusitada surpresa ao mesmo tempo que se mostra uma presença completamente coerente com o plano do álbum. Sir Christopher Lee, ator que em seus 70 anos de carreira e sua enorme filmografia, eternizou a figura do Conde Drácula nos cinemas após a morte de Bela Lugosi (o primeiro grande Dracula). Esse momento têm uma carga bastante singular, já que ele morreu, aos 93 anos, pouco depois de gravar a faixa. Esse foi então o último registro em áudio do ator.

Logo de sopetão, “Raise of Dead” continua o tom de filme de terror setentista numa injeção de gás que se estenderá dali pra frente.

A partir de então, começa um set que viaja pelo final dos anos 1960 ao início dos 1970 cobrindo a memória dos notórios membros do grupo. Em “My Generation”, Zak Starkey assume bateria e traz o legado de logo dois figurões: seu pai Ringo Starr e o próprio Keith Moon – do qual herdou o posto de baterista do Who em 1996 e continua até hoje.

“Whole Lotta Love” tem uma versão repaginada bem mais corrida que a original, com Brian Johnson no vocal e Alice na harmônica.

Entre as notórias participações, “I Got a Line on You” (do Spirit) e “One / Jump into the Fire” (do Harry Nelson) têm o Perry Farrell assumindo o segundo vocal. A dobradinha “Five to One / Break On Through (To the Other Side)” dá espaço ao Robby Krieger, guitarrista e membro fundador do Doors.

No meio disso tudo, temos a surpresa de “Come and Get It”, composta por Paul McCartney em 1969 para o filme The Magic Christian e interpretada originalmente pela banda Badfinger. Aqui, o protagonista é próprio Paul, que faz vocal, baixo e piano.

“Jeepster”, do T-Rex, tem uma versão reimaginada com ecos de country rock e abre o último terço do disco, que amarra “Cold Turkey”, “Manic Depression” e “Itchycoo Park” numa sequência que mantém o ritmo em constante. Apesar de todas as presenças já citadas (e as que não foram), toda essa capa de hard rock que cobre álbum acaba dando a ele um andamento maçante, principalmente nesse ponto.

A penúltima faixa é o momento do Alice. Um medley de “School’s Out/Another Brick in the Wall (Part 2)”, onde ele explode junto Slash e Brian Johnson na sua auto homenagem combinando seu histórico hit com a também eterna ópera rock do Pink Floyd.

A estética de sangue, roupas pretas e iconografia gótica – que no primeiro momento parece um exagero de imagens desgastadas – se unem à performance da banda e amarram essa homenagem aos “Dead Drunk Friends”. Referência essa ao nome da faixa composta para o álbum, que encerra e amarra a ideia trazida neste trabalho.

Voltando ao começo deste texto, proponho então ouvir esse som sem o peso do comparativo. São músicas que, sim, compõem a essência de um imaginário do rock, como um songbook mesmo. E a organização delas no disco parece que se faz por essa mesma conexão associativa. Ainda que esse projeto tenha saído desse registro, mudado e vem rodando desde então (a última turnê rendeu até julho de 2018), o mote é claro e declarado: é o trabalho de quem tem estrada o suficiente pra sentir firmeza em realizar uma curtição como essa. Mesmo assim, é importante reconhecer que não é um resultado desleixado.

É por fim uma boa pedida, principalmente para ouvir descompromissado e, é claro, bem alto.



Paulistano de 25 anos. É designer para pagar as contas. O grande hobby é sair de rolê pela tirar fotos em película. Outra ocupação é o garimpo em sebos para montar o que chama de “herança” - sua coleção de discos e livros. É fascinado por boas histórias. Nunca desenvolveu habilidade alguma com instrumentos musicais. A atração pela música começou com as coleções de família e o primeiro contato com plataformas de download. E esse interesse se renova, quase diariamente, em qualquer roda de conversa onde esse é o assunto. Esteve em Florianópolis apenas uma vez na vida.


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