Guilherme Zimmer, o cara do Floripa Noise!

O produtor, curador, ator e músico, Guilherme Zimmer, nos deu uma exclusiva sobre o 4º Floripa Noise!

Em sua quarta edição O Floripa Noise festival de cultura independente ultrapassou seu tamanho original, se estendeu e cresceu.

Com um apoio do governo federal pela primeira vez, o Floripa Noise realizado pela Insecta (produtora capitaneada por Guilherme Zimmer, produtor e músico de bandas como Os Ambervisions, A Besta e Cassim e Barbária) começa no próximo dia 16 desse mês, e a Dynamite juntamente com o site catarinense Underfloripa foi conversar com Guilherme Zimmer, curador e produtor do evento para não só divulgar mas para esclarecer alguns pontos referente s ao festival.

Underfloripa – Reparamos que o Floripa Noise pela primeira vez tem apoio do governo federal via Funarte e Ministério da Cultura. O quão importante é contar com o apoio de editais governamentais em um festival desse porte?

Zimmer – É muito bom!!! Estamos na quarta edição, e sempre fizemos o festival na raça! Agora com o apoio da FUNARTE conseguimos fazer um festival melhor, mais estruturado, apesar de conceitualmente não ter mudado em nada!

Underfloripa – O Floripa Noise chega a sua terceira edição. O que muda da primeira edição para essa em termos de estrutura, bandas e duração?

Zimmer – Quarta edição, na real. Cara muda que pudemos trazer mais gente de fora, pagar a galera legal, alugar um som foda! No ano passado o festival já foi de uma semana, e com quase o mesmo número de atrações! Mas agora conseguimos profissionalizá-lo em vários aspectos!

Underfloripa – Porque depois de 3 edições, repetir a escalação de algumas bandas? Não lhe parece que ser “o dono da bola”, lhe coloca ao lado de outros curadores de outros festivais ao colocarem suas próprias bandas para tocarem nesses festivais?

Zimmer – Acho que coloca sim, mas não vejo nada de errado nisso. Esse festival foi feito em parceria com a Vinil (produtora de Florianópolis), e decidimos que eu faria a curadoria. Chamei as bandas que gosto, que acho que poderiam oferecer algo em troca ao público de Floripa. Acredite, ficou MUITA banda de fora que eu gostaria de chamar… há muito mais banda que palco infelizmente!

Underfloripa – Como se deu a curadoria do Floripa Noise? Pelo que você havia conversado conosco, toda atoda a curadoria foi escolhida a dedo pela sua pessoa, sem interferência de qualquer outra pessoa. Centralizar as escolhas, não recai apenas o gosto pessoal deixando de lado algumas outras referências musicais?

Zimmer – Curadoria autoral é algo normal em vários festivais do mundo. O ATP, por exemplo, chama alguém todo ano pra curadoria, e isso influencia diretamente na cara do Festival naquele ano. Uma curadoria não necessariamente precisa ser “eclética” ou “democrática” – coisa que eu particularmente acho que o FNF é!!!

Underfloripa – Algumas bandas do RS e da ARGT virão tocar no Noise. Mas porque de repente deixar dede lado bandas com bastante público do Paraná por exemplo?

Em nenhuma ediçãodo FN tiveram bandas do Paraná. Em termos de custo, algumas sairiam mais em conta trazer, como por exemplo, uma Relespública (que acabou de voltar a tocar junta) ou o Pelebrói Não Sei¿ que faz shows pontuais com lotação esgotada nos lugares que tocam. Porque trazer bandas de lugares mais distantes, ao invés de tentar fazer uma ponte com o Paraná, ou até mesmo São Paulo?

Zimmer– Besteira! Não veio ninguém de vários outros estados! Padronização geográfica não foi critério para escolha das bandas… Muitas bandas nem vem de seus estados de origem tocar, então o argumento do “custo” é furado!!! O Gomes vem de Curitiba, por exemplo! Pergunta boba essa!!!

Underfloripa – O independente tem fôlego dentro do cenário catarinense?

Zimmer– Com certeza!!!! Sempre teve e sempre terá porque é feito por pessoas apaixonadas! Ninguém está nessa pela grana ou qualquer outra coisa! A parada é TRUE!!!! (risos)

Underfloripa – Ao contrário da maioria dos festivais, o Floripa Noise se preocupa em fazer shows gratuitos. Isso foi uma preocupação desde o início, ou simplesmente uma conjunção de fatores?

Zimmer – Quando dá para fazer de graça é legal, afinal nem todo mundo pode pagar pra ir todos os dias!!! Mas de qualquer maneira o preço dos ingressos é bem em conta todos os dias!

Underfloripa – O modelo do FN é bastante parecido com alguns festivais mundo afora. Diversas bandas espalhadas em alguns dias. A pergunta que fica é: a maioria dos festivais não pagam cachês as bandas (e isso sabemos, não somente no Brasil o coletivo FDE foi inúmeras vezes acusado de disseminar essa prática mesmo com verbas públicas). O Floripa Noise conseguiu pagar as despesas das bandas, e mais alguma coisa em relação cachê de cada uma?

Zimmer– Não sei dos outros, mas no FNF todo artista ganhou cachê! E quem vem de fora da cidade, pagamos o transporte e hotel. Cachê, hospedagem, avião, som bom e abraços!!! Principalmente os abraços!!!

Underfloripa – Porque o público deve ir ao Floripa Noise desse ano?

Zimmer – Porque vai ser legal.


Passou dos 30 e poucos anos faz tempo, resenhista (aka crítico musical), editor e amante das boas coisas da vida: música, cinema, literatura, teatro e o que mais envolver artes! Já escreveu para jornais, revista, sites e hoje batalha nesse humilde espaço. Poeta nas horas vagas, já percorreu o Brasil, mas hoje vive em São José, bem ao lado de Florianópolis.


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