Franz Ferdinand no Tom Brasil

A incrível acústica do Tom Brasil, na Zona Sul de São Paulo, favoreceu imensamente a pontualíssima banda escocesa Franz Ferdinand. Voltando ao Brasil pela sexta vez e pela primeira vez com a nova formação, com a banda demonstrou uma pontualidade britânica ao iniciar show com “Demagogue” no tape precisamente às 21h00.

Daqui a pouco eu volto e falo mais sobre “Demagogue”.

Ainda haviam muitas pessoas entrando ou na fila enquanto a banda entrava no palco e começou com a faixa-título de seu último lançamento, “Always Ascending”, mas daquele momento em diante ninguém mais ficou parado. Não chegou a virar um bailinho indie, propriamente dito, mas literalmente todas as pessoas dançavam, batiam os pés, a cabeça e cantavam junto. Mesmo as músicas mais recentes, como “Lazy Boy” arrancaram palmas e conseguiram agitar o público. O vocalista Alex Kapranos é extremamente carismático, conversou com o público, mexeu conosco e com a banda

O setlist foi diferente do que foi tocado em Curitiba na noite anterior e, para a tristeza deste que vos escreve, só tocaram uma música de “Right Thoughts, Rights Words, Right Action”, deixando de lado algumas das minha favoritas, como “Evil Eye” e a própria canção-título, mas isso já vinha acontecendo ao longo de toda a turnê. Porém, não faltaram hits, que vieram quase emendados. “No You Girls”, “The Dark of the Matinée” e “Do You Want To” foram pontos altos, com a banda espremendo cada gota de cada música, esticando as convenções e batidas à exaustão e criando diversos momentos fantásticos durante o show.

“Take Me Out” e “Ulysses” encerraram a primeira parte do show e depois da pausa mais rápida que eu já presenciei, voltaram para o bis com “Finally”, também de “Always Ascending”. Foi tão rápido que eles voltaram ao palco antes mesmo de eu pegar uma cerveja. Enfim, o show terminou com uma versão estendida de “This Fire”.

Ah, sim. Eu prometi falar mais sobre “Demagogue”. Para quem não sabe, a faixa é uma crítica aberta ao atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em meio ao nosso próprio pleito nacional e com um certo candidato que diz se inspirar no demagogo alaranjado, a música, que também encerrou o show, não poderia ter sido melhor escolhida. Talvez para muitos espectadores essa escolha tenha passado despercebida, mas a introdução a “Michael” não foi. Antes de tocar a música, o vocalista Alex Kapranos disse que a música era sobre dois rapazes, dois belos rapazes dançando juntos na pista. Então, perguntou ao público se alguém tinha um problema com isso. A plateia prontamente respondeu num sonoro “não”. Alex então emendou que “se alguém aqui tem um problema com isso, então tem um problema com a gente” e foi ovacionado pelo público.

Apesar disso, o Franz Ferdinand não fez um show político ou politizado. Foi um show para fãs da banda e um para mesmo fãs casuais aproveitarem. E como aproveitamos!



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


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