Frank Jorge – Escorrega Mil, Vai Três, Sobra Sete

Há poucas unanimidades dentro do cenário musical. Talvez Frank Jorge seja uma delas. Há de ter muito cuidado ao analisar um trabalho de um dos músicos mais admirados na cena independente. Fosse americano ou europeu, talvez em outro país Frank teria acumulado um bom patrimônio a essa altura do campeonato,…

Escorrega Mil, Vai Três, Sobra Sete - 180 Selo Fonográfico

180 Selo Fonográfico - 8.4

8.4

Frank Jorge continua o mesmo. Bom letrista, cronista e músico fora do comum. Escute e indique aos amigos.

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Há poucas unanimidades dentro do cenário musical. Talvez Frank Jorge seja uma delas. Há de ter muito cuidado ao analisar um trabalho de um dos músicos mais admirados na cena independente.

Fosse americano ou europeu, talvez em outro país Frank teria acumulado um bom patrimônio a essa altura do campeonato, dada a sua importância dentro do âmbito cultural.Infelizmente, em nosso país, os grandes artistas só são reverenciados após deixarem esse plano.

Dono de letras interessantíssimas, melodias imortais e uma carreira irretocável, Frank também se tornou professor universitário em uma faculdade no Rio Grande do Sul, o que talvez justifique seu hiato produtivo, já que seu último trabalho datava de 2008, “Volume 3”, lançado por outro selo.

Mas e o novo trabalho de Frank Jorge, acrescenta algo a sua longa discografia e trajetória musical?

Sim, agrega porque o músico continua um cronista e letrista de mão cheia.

Frank nunca foi conhecido por sua extensão vocal ou possuir uma voz incomum. A voz do músico é o que podemos considerar uma voz comum, nada de mais, a voz de um cronista urbano contando histórias musicadas.

Talvez por possuir esse dom de se igualar ao cidadão comum que conta uma história e agrega uma verdade a ela, é que o cantor consiga traduzir em letras e melodias a crônica de uma Porto Alegre irreal e diferente da cidade mergulhada em caos e violência. O tempo é outro, mas ao ouvir as canções de “Escorrega Mil, Vai Três, Sobra Sete” é possível entender porque o rock gaúcho carrega essa identidade tão arraigada que faz parte dele.

O orgulho de ter compositores e músicos que traduzem o irreal de forma tão impactante e entrar de vez para o panteão dos grandes. De agregar ainda que de forma lírica, a junção de dois mundos: o irreal e o ideal.

Com ritmos tão distintos dentro de um mesmo trabalho, “Escorrega Mil..” é uma lembrança que é possível fazer uma obra tão dispare entre si e ao mesmo tempo, toda ela fazer sentido.



Passou dos 30 e poucos anos faz tempo, resenhista (aka crítico musical), editor e amante das boas coisas da vida: música, cinema, literatura, teatro e o que mais envolver artes! Já escreveu para jornais, revista, sites e hoje batalha nesse humilde espaço. Poeta nas horas vagas, já percorreu o Brasil, mas hoje vive em São José, bem ao lado de Florianópolis.


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