Fernanda Cunha – Dois Corações

Dois Corações (Kuarup)

Kuarup - 5.9

5.9

Um disco tão inócuo e insosso quanto a sua capa branca com letras sem graça.

User Rating: Be the first one !

Poucas vezes na minha vida eu lembro de ter ficado tão entediado quanto eu fiquei ao longo dos intermináveis 52 minutos deste álbum de 2004. Aqui, neste trabalho que leva o subtítulo “Dois Corações”, nome de uma canção de Johnny Alf e alusão ao tributo que ela faz a Alf e à Sueli Costa, a cantora e compositora mineira, Fernanda Cunha, traz pouca, se não nenhuma, novidade a um espaço já bem demarcado e estabelecido dentro da música brasileira.

Deixo claro que este não é um trabalho ruim, mas é sem muito graça, sem cor, como a capa deste disco. É difícil destacar algum ponto aqui, para bem ou para mal porque tudo soa muito igual. Todas as faixas parecem ter sido arranjadas ao mesmo tempo, metais tímidos, cordas de nylon e a voz anasalada da cantora segundo o padrão já bem conhecido de jazz-bossa-carioca. Ouvir este disco é como estar em elevador panorâmico de uma novela do Manoel Carlos, olhando a imensidão da Zona Sul do Rio de Janeiro através de um vidro pasteurizante.

Ao contrário de muitos discos do gênero que são forçados e pedantes, este não é. Ele soa como uma tentativa sincera de homenagear artistas que inspiraram a cantora, mas o resultado final é inócuo. Não creio que este trabalho irá gerar nenhuma impressão duradoura em nenhum dos leitores deste espaço e o fato deste trabalho ter quase quinze anos e praticamente não existir na Internet é uma prova disso.

É um terreno arriscado fazer um disco inteiro de versões, especialmente de artistas considerados clássicos dentro do cânone da música brasileira. Aqui, parece que a cantora Fernanda Cunha resolveu não se arriscar nem um pouco e entregou um trabalho que não traz nada de novo, nem complementa nada. Um projeto pessoal sem relevância nenhuma e nada além disso.



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


Underfloripa (2007-2019) Todos os Direitos Reservados. Site em Wordpress mantido por Sierra November. Feito com amor em Floripa e São Paulo.