“Elliottii” – Nebula Dogs

Elliottii - Independente

Independente - 9.7

9.7

Como é bom poder ouvir uma banda coesa e que sabe o que quer!

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Como é bom poder ouvir uma banda coesa e que sabe o que quer!

Apesar da pouca idade dos integrantes, a Nebula Dogs é uma grata surpresa. Surpresa por não terem dinheiro o suficiente para se trancarem em estúdios caros, nem mixarem com algum técnico ou engenheiro de som caríssimo dos EUA ou Europa. Nem tampouco terem se trancado em algum estúdio bucólico improvisado em algum sítio ermo em alguma cidade desconhecida.

Apesar da ironia do último paragrafo (muitos artistas fazem tudo isso e conseguem maravilhosos resultados) o grupo catarinense poderia estar em qualquer lugar do planeta, e o resultado talvez não fosse o mesmo. As dificuldades forjaram as almas de Kauê Werner (guitarra, sintetizadores e voz), André Zanella (sintetizadores e voz), Paulo Genovez (bateria e voz) e Conrado Emerick (baixo e voz).

Com influências plausíveis que oscilam entre o “velho” Pink Floyd e o “nem tão novo” MGMT, a banda não cai em pastiches. Seguros que serão certamente comparados as novas bandas de um “neo psicodelismo” nacional ou gringo, os rapazes gravaram entre março e agosto desse ano um dos melhores trabalhos lançados esse ano aqui no país.

Não é exagero algum apontar como uma das bandas promissoras que podem fazer bonito lá fora.

Existe uma coerência e melodias coesas nas canções, acordes acertados e nada em demasia que venha a estragar as canções. Apesar do estilo psicodélico ter a necessidade de solos e “viagens” musicais, os rapazes podem até ser considerados econômicos nas canções. Apenas duas delas chegam a ultrapassar os “longos” 07:00 e não chegam a ser em momento algum pretensiosas ou monótonas. São “viagens sonoras”, mas dentro de um contexto que mistura o jazz, psicodelia e space rock.

Sobra até uma pequena “referência” ao ouvinte mais atento na primeira faixa. É como ouvir um pequeno fragmento da trilha sonora de Tron.

Outro ponto positivo são os recursos eletrônicos utilizados. Fugindo da obviedade a banda consegue surpreender.

Mesmo estando em outubro, não tenho medo de apontar que certamente esse trabalho estará na minha lista dos melhores trabalhos lançados no ano de 2016!



Passou dos 30 e poucos anos faz tempo, resenhista (aka crítico musical), editor e amante das boas coisas da vida: música, cinema, literatura, teatro e o que mais envolver artes! Já escreveu para jornais, revista, sites e hoje batalha nesse humilde espaço. Poeta nas horas vagas, já percorreu o Brasil, mas hoje vive em São José, bem ao lado de Florianópolis.


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