Edu K – Lipstick Jungle (EP)

Lipstick Jungle - Selo 180

Selo 180 - 6.9

6.9

Edu K drag queen. Nova identidade, velhos sons e a diversão garantida para toda a família brasileira.

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Aaaahh..o “jovem” Edu K, do alto dos seus mais de 30 anos de carreira, já encarnou todas as facetas possíveis nessa terra. E agora, vem mais uma encarnação que mais tarde você ficará sabendo, por favor, não olhem para a capa do EP.

O rockeiro gaúcho, foi: DJ, ator, dublador, teve banda desconhecida em Florianópolis, liderou o De Falla (para o bem ou para o mal) em diversas formações, participou de reality shows, ficou nu em um Hollywood Rock (antes disso virar moda entre algumas bandas), se apresentou para milhares de pessoas, se rendeu ao funk (muito antes da nova onda) e fez sucesso.

Louco, extravagante, artista, performer e inconformado de carteirinha. Edu K, gênio, maldito e dono de uma carreira “sui generis” dentro do underground e do mainstream.

Sua nova empreitada será lançada no dia 15 de setembro, mas tivemos pressa e soltamos as nossas impressões hoje.

O EP lançado pelo Selo 180, é uma espécie de atualização do rock mesclado a sub gêneros. A maçaroca de estilos musicais juntos e jogados no mesmo liquidificador fazem sentido em se tratando de Edu K.

“Lipstick Jungle” lembra um rock de arena, com quase nada de letra, apenas frases de efeito. Boa melodia. Parece ideal para uma propaganda modernosa de automóvel.

“Pokemon Go” é rock lascívio, e quando vemos a capa da nova “persona” do cantor, faz todo o sentido. Glam rock, guitarras em fúria, com produção impecável. Cabe aqui um aparte. Há alguns anos atrás no nosso torrão varonil, tínhamos bandas com essa pegada. Sim, a mesma pegada.

Daniel Belleza e os Corações em Fúria, Glamourama (lá atrás), Lipstick (olha a palavra aí novamente..) e principalmente me vem a lembrança a Kiara Rocks. Com energia de sobra na canção e aquela postura hard rock. Não traz novidades, mas é divertida.

Aqui cabe outro aparte, Edu K se traveste de drag queen para as fotos e pelo que parece passará a se apresentar assim. Em tempos de cantores usando roupas femininas e se dizendo mulheres, Edu K já estava muitos anos a frente dessa postura, “sou homem, mas me trate como mulher”. Cada um na sua.

Nada de novo no front. Na minha concepção, o gaúcho mais eclético do universo nunca teve sexo definido. Era e sempre foi um Artista. Ora funkeiro, ora zoeiro, ora roqueiro. Tal qual um David Bowie (guardando-se as proporções, obviamente) , o gajo pode se apresentar como quiser, pois já vimos tantas “personas” dele que, nada vai parecer forçado.

“Dando no Meio” trafega na mesma concepção glam rock, letra de duplo sentido e pegadas ferozes de hard rock.

“Rewind” é aquela sensação de desnecessária no EP. Parece aqueles hard rocks com pretensão de soarem como uma canção do Nelson (sim, existiu uma banda com esse nome) ou ainda um Skid Row em uma balada lenta. A música ficou deslocada. Me lembra um clip ruim de uma banda ruim, passando as 03 da manhã na TV.

“Sexo e Ceva” tem uma introdução parecida com uma canção de Thiago Pethit, ao menos na impressão, já não escutei isso antes? Letra mediana para ruim, mas uma pegada quase Comunidade Nin-Jitsu.

“20çeduzir” segue com o jogo. Letra mediana, mas um riff de guitarra maravilhoso. Mas não vira o jogo. A versão de 2015 era bem melhor.

A última canção do mais novo trabalho, “Longe de Ti” é outro pastiche ou uma tentativa de ode as baladinhas melosas dos irmãos Nelson. Tecladinho safado, letra que poderia muitissimo bem ser um pagode dos anos 90 cantado pelo Raça Negra e clichês em demasia.

Resumo da opera, não leve a sério o mais novo trabalho de Edu K. É um amontoado de clichês do rock (ou hard rock).

Talvez o próprio Edu K não leve tão a sério seu EP. Por ser um artista que já foi tachado de tanta coisa, ele não se importa em reprocessar alguns clichês para uma nova leva de possíveis fãs.

E querem saber? Se não levarem a sério os 23 minutos do tempo de duração das 7 faixas, passa rápido, é divertido e melhor que muita banda ou artista que se acha diferente por se vestir de mulher ou drag queen. Ao menos Edu K já “causava” muito antes disso tudo virar discussão de gênero e identidade.

Edu K é foda!

Só não o levem a sério, por favor!



Passou dos 30 e poucos anos faz tempo, resenhista (aka crítico musical), editor e amante das boas coisas da vida: música, cinema, literatura, teatro e o que mais envolver artes! Já escreveu para jornais, revista, sites e hoje batalha nesse humilde espaço. Poeta nas horas vagas, já percorreu o Brasil, mas hoje vive em São José, bem ao lado de Florianópolis.


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