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Música estranha e gloriosa vindo do oeste catarinense.

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Implorei para que me dessem espaço nesse lindo site para falar desse disco para todos vocês. É um lançamento especial muito relevante e eu pretendo ser a primeira pessoa a falar a respeito, pensando que futuramente ao me creditarem como propagador dessa jóia rara eu consiga alguns seguidores a mais no instagram.

nota do editor: diversos apelidos são usados neste texto para descrever a mesma pessoa: Fernando Rodrigues Paludo, ou, “cocobobonut”, seu username de instagram e nome artístico.

Pois bem, o Bili (Fernando Rodrigues Paludo) e eu fundamos a John Filme em 2010, eu tinha 17 anos e ele 14, e o primeiro disco (Jaromtom, 12 faixas instrumentais) nós gravamos um ano depois.

Segunda Nota- As músicas não são grandes coisa, aliás, daria uma bela resenha pro pessoal cativo do UnderFloripa descer o pau, mas é justo pela maturidade da época.

Fato é que desde muito cedo, não só eu, mas todo mundo percebeu um grande potencial no Billie, que sempre tocou bateria de um jeito característico e diferente dos outros bateristas que se via por aqui, justamente porque sempre teve um ouvido muito aguçado e aberto para novas influências. Além disso, o que muitos não sabem é que antes de ser baterista, o Billy fazia aula de guitarra quando criança e recentemente está provando ser um músico completo dos mais competentes. Prova disso é esse disco que o menino compôs, produziu, arranjou, gravou, mixou e postou tudo sozinho.

O disco começa com uma progressão de acordes estranha num tempo estranho e com umas texturas estranhas. Defino como estranho simplesmente porque o texto é meu e eu faço o que eu quero, e porque eu nunca resenhei nada direito na minha vida.

A segunda faixa, “Não Se Espera Deitado”, é a que mais destoa do resto, funciona como uma quebra na sequência lógica de usar a primeira música para introduzir uma narrativa que segue pelo resto do álbum, e me lembra das primeiras boas referências que o Billy teve na vida, porque Metallica e Angra não contam. É arriscado citar referências nesse caso porque eu sei que qualquer comparação pontual vai parecer idiota, visto que o resultado é uma mistura de muita coisa que eu nem conheço, no entanto posso afirmar com mais convicção que tem uma virada de bateria nessa música que é copiada de Dum Dum Boys do Iggy Pop (quem nunca?).

Na sequência, duas faixas parecidas, ambas escolhidas para serem os singles do álbum. “Palermo” começa com um baixo que carrega a música enquanto a guitarra principal desempenha um papel rítmico e as demais acrescentam texturas. Acho importante ressaltar o principal motivo que faz do Billey um ótimo baterista, ele faz tudo soar bem, mesmo numa gravação tosca dá pra ouvir um cara que sabe o que tá fazendo.

“Quase Simultâneo (Nome Endereço)” segue a mesma premissa dançante da faixa anterior, mas com mais acordes, melodias com sintetizadores e compassos surpreendentes. O final dessa música é lindo demais.

Nesse ponto percebi que não comentei nada sobre as letras. Pretendo não exagerar nesse assunto. Com certeza esse é o ponto de maior insegurança do Binly, e certamente é onde há menos intenção de ser relevante. Palavras são superestimadas. As melodias vocais e o estilo de cantar, no entanto, são bastante interessantes e a opção por camuflar a voz só enfatiza essa função na música. No geral as letras tratam de temas nada políticos e nada intelectuais, mas ligam muito bem essas experiências codificadas com humor dos arranjos.

As duas canções seguintes “Eu Bem Que Tentei” e “Farol Baixo” são bons exemplos de como algumas frases simples ganham uma importância maior pela estética do contexto geral. Existe uma dose de ingenuidade que transparece com ênfase pelas melodias que alternam entre momentos tristes momentos não tão tristes. Eu, particularmente, gosto de música que não dá pra definir como feliz ou triste. Nice ones, Billo!

A sétima música, “Nunca Soube”, eu tenho a nítida impressão de saber como foi feita. Imagino Tillen escrevendo, tocando e cantando os primeiros acordes calminhos, parando, coçando o olho com o indicador, e pensando: “eita”. Aí ele coloca um monte de barulho e distorção só pra se esconder e combinar com a letra que diz: “Não sei o que dizer, não sei o que fazer comigo”. Relaxa, Willy, não vou contar pra ninguém.

Eu acho que “Pessoas Feias” é sobre se sentir desajustado no contexto social que convive na cidade onde mora (Chapecó) e com as pessoas da sua idade (ele tem 20, meninxs add). Sigo suspeitando que tem uma motivação anti-rolê, não querendo se conformar à rotina dos jovens gole crivo & atraque. Meu melhor palpite é que mesmo sendo usuário recreativo de rolê, Bayloy não se contenta com pouco e não se encaixa.

O final apocalíptico com “Nem Te Conheço” é melancólico e bonito, do jeito que o tio gosta. É um fechamento justo de um disco que soa surpreendente a cada música.

Parabéns, Tander, não tenho nada mais a dizer, tu merece uma rádio no The Sims só pras tuas músicas.

E aos leitores e ouvintes: escutem e compartilhem, elogiem o disco nos comentários e façam com que o pobre Schwilley tenha assunto pra chegar nas mina do rolê.



Designer gráfico por formação, equilibrista na banda John Filme e contribuinte nos projetos: Banda Repolho, Irmãos Panarotto, OJO, e Elegância Modas para Garotas Ciclistas. Cliente Bicudo Lanches, tem péssima memória e, nas horas vagas, ainda discute com a mãe. Atualmente sobrevive em Chapecó.


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