BIKE no Centro Cultural São Paulo

Ontem na Sala Adoniran Barbosa no Centro Cultural São Paulo, a Bike preencheu a sala inteira com suas melodias psicodélicas. A sala estava em meia lotação. Haviam muitas cadeiras vazias e quase ninguém nas galerias, mas parece que não importou e de alguma forma a banda impactou todos os presentes. Quando digo que preencheu, digo isso quase que literalmente. O som da banda, a combinação precisa de melodias repetitivas cuidadosamente moduladas e cantos que soavam quase que como mantras cheios de eco, ocupou cada centímetro cúbico da sala.

Este é o último show da divulgação do disco “Em Busca da Viagem Eterna” e emendaram com o lançamento do clipe da música “Terra em Chamas”. O clipe e suas imagens à Terry Gilliam ficaram tocando ao fundo durante o show todo. O plano era passar o clipe no telão aos presentes antes do show, mas por dificuldades técnicas, o som não tocou e ficamos com as imagens repetindo ao fundo, dando o cenário perfeito ao show. Dificuldades técnicas pareceram também atrapalhar o baterista Gustavo Athayde, que parou algumas vezes para ajustar a máquina do chimbal, mas nada que tenha atrapalhado a performance. Dificuldades técnicas na forma de uma cabeça enorme também nos impediram de fazer um registro fotográfico apropriado para o show.

Abriram com “A Montanha Sagrada”, talvez a minha favorita do álbum, e o ritmo crescente da música foram a escolha perfeita para abrir o show. Ao final dela, estávamos todos imersos no show. O fato da plateia estar sentada e tão próxima à banda aumentou ainda mais a imersão no espaço. Tudo parecia que foi perfeitamente ensaiado e pensado na nossa imersão no som da banda, da iluminação à escolha do setlist.

A banda ainda tocou duas músicas novas, ainda sem nome, que eles disseram que irão fazer parte de um novo álbum a ser lançado em breve. Eu sinceramente espero que ele seja lançado em vinil também. As canções novas destoaram um pouco do resto do material, mas formaram um interlúdio interessante no meio do show. Enfim, tocaram “Terra em Chamas”, o destaque e um dos pontos altos da noite.

A noite e o show de pouco mais de uma hora correram muito rápido e, à pedidos da plateia que clamou por mais uma canção, a banda encerrou o show com a “Do Caos ao Cosmos”. O riff inicial poderia ter se repetido indefinidamente, mas enfim, o show acabou.  Nessas horas a Bike me lembra um bocado o Tame Impala da época do “Innerspeaker”, Talvez o que o Tame Impala poderia ter sido se o Kevin Parker não fosse um moleque tão mala. Comparações à parte, assistir um show da Bike é quase uma experiência religiosa. As letras cantadas cheias de harmonias soam como mantras desenhados para nos elevar aos céus. Naquela noite, voltamos para casa em paz.



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


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