“Badlands” – Halsey

A primeira faixa de um disco é como a primeira linha de um livro, é uma declaração de intenções. Nos primeiros acordes ouve-se do que o resto do disco será feito o que vem pela frente. Muitas vezes é a música mais forte e geralmente o primeiro single. Tendo dito…

Badlands (Universal Music)

Universal Music - 6.5

6.5

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7

A primeira faixa de um disco é como a primeira linha de um livro, é uma declaração de intenções. Nos primeiros acordes ouve-se do que o resto do disco será feito o que vem pela frente. Muitas vezes é a música mais forte e geralmente o primeiro single. Tendo dito isto, eu preciso dizer que o disco de estréia da americana Halsey me frustrou um bocado.

A primeira faixa, “Castle”, é forte, é boa e memorável. A voz dela soa um contralto profundo e marcante. A letra evoca a fama e sua ascensão de uma garota qualquer de Nova Jersey para um dos nomes revelação do pop. A batida é maneiríssima e muito dançante. Eu confesso que nunca havia ouvido falar na moça até ela se apresentar no Lollapalooza deste ano, até assumindo a alcunha de MC Halsinha e me arrependi um pouco de não ter dado a devida atenção. Aí veio o resto do disco.

O resto do disco é irregular e em alguns momentos, até constrangedor. Os temas se repetem, não há profundidade nas letras e as batidas soam repetitivas às vezes. As letras são um problema à parte. “New Americana”, o ponto baixo do disco, rima “americana” com “marijuana” e “Nirvana”. Sim, a banda. O fato de praticamente cada faixa do disco ter sido produzida por uma pessoa diferente explica isso. Há pouca unidade, como uma colcha de retalhos escolhidos aleatoriamente no balaio de influências do pop do meio desta década.

Não se engane, há bons momentos para frente, como “Ghost”, que já havia sido lançada no EP “Room 93”. A versão Deluxe ainda conta com “Hurricane” e outras quatro faixas além do que consta na versão original, incluindo uma versão terrível de “Walk The Line”, clássico de Johnny Cash. É uma pena ouvir um disco começar tão bem e terminar tão mal.



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


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