“A Nave de Odé” – Caê

Caê Rolfsen abandona seu sobrenome no seu segundo disco e assina "A Nave de Odé" apenas como Caê. Fora isso, não há muita mudança no som do músico/vocalista/produtor/arranjador paulistano. Aliás, essa coisa de ser paulistano, que permeava muito do seu primeiro disco "Estação Sé", continua se mantendo forte neste disco,…

A Nave de Odé (ORI Records)

Independente - 7

7

Um disco muito bem produzido e cheio de chavões do gênero.

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Caê Rolfsen abandona seu sobrenome no seu segundo disco e assina “A Nave de Odé” apenas como Caê. Fora isso, não há muita mudança no som do músico/vocalista/produtor/arranjador paulistano. Aliás, essa coisa de ser paulistano, que permeava muito do seu primeiro disco “Estação Sé”, continua se mantendo forte neste disco, que a toda oportunidade faz referência a cidade de São Paulo em suas letras.

As músicas são fáceis de ouvir, gostosas e a mistura de ritmos africanos com elementos de reggae e da nova MPB funciona muito bem. A mistura chega a ser um chavão, mas não há demérito nenhum em fazê-la com bom gosto e com as medidas certas de cada um deles. Os metais foram muito bem gravados e atacam nos momentos certos. O que é difícil aqui é que em muitos momentos este disco parece uma trilha sonora padrão de festinhas de alunos de graduação da FAU ou da FFLCH da USP. São aquelas músicas gostosas que parecem que foram feitas para alunos de ciências humanas. As letras, igualmente, também parecem chavões de poesias de “poetas urbanos”, daqueles que tentam te vender livrinhos com seus poemas fotocopiados e grampeados em folhas A4 no sinal.

Há de se reconhecer que a voz de Caê está mais madura e parece mais sua neste disco que no anterior e há elementos bem diversos aqui. “Cecília do Cambuci” lembra Morphine em alguns momentos. “Zambê” é incrívelmente dançante, ao contrário da maioria das músicas que são mais sossegadas. No geral, é um trabalho é despretensioso e competente, um bom disco.



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


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