“1985” – Andre Whoong

Ao olhar pra capa, o nome do cantor-compositor-arranjador está quase ilegível. A arte em si é interessante porque todos os créditos, agradecimentos e textos do encarte são manuscritos. Porém, apesar de achar interessante, não me causou boa impressão. Estava esperando algo digno de um neo-hippie de havaiana suja que fala…

1985 - Flamingo Rosa

Flamingo Rosa - 9.5

9.5

Um trabalho extremamente coeso, bem produzido e cativante, o resultado de um projeto extremamente bem executado.

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10

Ao olhar pra capa, o nome do cantor-compositor-arranjador está quase ilegível. A arte em si é interessante porque todos os créditos, agradecimentos e textos do encarte são manuscritos. Porém, apesar de achar interessante, não me causou boa impressão. Estava esperando algo digno de um neo-hippie de havaiana suja que fala “gratidão” ao invés de “obrigado” quando fila um de seus cigarros.

Para minha sorte, eu estava enganado

André Whoong estréia aqui seu primeiro disco solo depois de colaborações com diversos outros artistas, inclusive a Tiê, com quem ele divide os vocais na faixa “Botas”. Ele entrega aqui um trabalho extremamente coeso, bem produzido e cativante. É o resultado do que parece ser um projeto extremamente bem executado. Há muita coisa acontecendo o tempo todo, como uma colha de retalhos bem construída, mas não parece haver nenhum exagero, nenhum excesso. Cada instrumento, cada nota, está ali por um motivo.

A já mencionada “Botas” é maravilhosa, mas é um show à parte por conta da voz de Tiê, que até faz ele parecer um cantor pior que é de fato. Mas penso que são poucos os cantores que não soariam assim cantando ao lado dela.

As letras são fantásticas. Há momentos geniais, boas poesias e é difícil não se identificar com diversos momentos. “Eu vou parar de beber” é óbvia, mas a sutileza de “Parece” me conquistou. Inclusive, me vi em vários momentos e em várias das letras. Mais que um excelente compositor-arranjador (e cantor OK, mas não vamos nos ater a isso), André é um excelente contador de histórias. E pelas histórias contadas em “1985”, eu só posso imaginar que ele tem muitas outras na bagagem.



Designer, sociólogo de boteco, baixista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.


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